A representante da Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação deputada Luiza Erundina (PSB-SP) afirmou ontem, durante o seminário “Centenário da Umbanda: Matriz Religiosa Brasileira”, que o combate à discriminação religiosa somente será efetivo com a democratização dos meios de comunicação.

“No dia em que a mídia for democratizada teremos força para fazer todas as demais reformas de que o País necessita”, afirmou.

O ex-deputado Orlando Fantazzini, representante da campanha “Quem financia baixaria é contra cidadania”, lembrou que, no Brasil não chega a dez o número de famílias que detêm os meios de comunicação. “Essas pouquíssimas pessoas decidem como deve ser a sociedade brasileira, se negro deve ser discriminado, se deve ter ascensão social ou não, de que tipos de música devemos gostar”, disse.

Fantazzini ressaltou ainda que a única concessão pública que o poder concedente não tem possibilidade de revogar é a dos meios de comunicação, que só podem ser revogadas por meio de decisão judicial ou por votação do Congresso. “É o absurdo da dominação dessas mesmas famílias, que tradicionalmente tiveram o monopólio da terra, e hoje detêm o da comunicação”.

Pasteurização
De acordo com Erundina, os meios de comunicação do País promovem a pasteurização da cultura brasileira. “Hoje só há espaço de participação para os que detêm à hegemonia racial, econômica, cultural, religiosa. É uma negação da diversidade, da nossa vocação como País”, denunciou.

A deputada enfatizou ainda que já foram realizadas dezenas de conferências nacionais para discutir políticas para cultura, diretos da crianças e do adolescente, educação. Somente na área de saúde, segundo ela, foram 12 encontros. “A única que até hoje não teve fórum nacional para discutir sua política foi a comunicação”, disse Erundina.

União
Para o representante muçulmano da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica sheikh Jihad Hassan Hamadeh, a única forma de combater os preconceitos religiosos é por meio da união de todas as religiões minoritárias. “Para que haja sociedade pacífica é preciso que haja conhecimento. Preciso abrir meu templo para que o outro saiba quem sou eu. O ser humano é inimigo daquilo que desconhece. Quando conhece passa a ser amigo”, pregou.

Hassan Hamadeh defendeu também que as religiões trabalhem unidas em torno de valores e ideais comuns. O representante da Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo (Cenacora) reverendo Antônio Olímpio de Sant’Ana concordou que uma das principais fraquezas na convivência religiosa é a falta de uma agenda comum. Para suprir essa carência, sugeriu a criação de um fórum inter-religioso. “Se levarmos em conta o poder que temos junto a nosso povo, a história será diferente”, sustentou.

Já o representante da Faculdade de Teologia Umbandista de São Paulo Roger Soares ressaltou a necessidade de que todas as religiões sejam fiéis a seus ensinamentos. “A força principal de cada religião está no fato de que assume um modo de viver, uma ética. Se exercermos os valores ensinados pela nossa religião, vamos promover a paz do mundo.”

Agressão
Como exemplo da discriminação contra religiões de matriz africana, o presidente do Conselho Nacional da Umbanda do Brasil (Conub), Sílvio Luiz Ramos Garcez (Pai Ramos), denunciou que cartazes de divulgação do seminário na Câmara foram “sistematicamente arrancados e rasgados de forma agressiva”. “Falar só não basta, é preciso agir, fazer valer o que a Constituição prega”, defendeu.

O seminário foi promovido pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Legislação Participativa em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e com o Conselho Nacional da Umbanda do Brasil (Conub).

Fonte: Agência Câmara