Joel da Harpa (Pros-PE) questionou notificação de morte de ‘bandidos’. Afirmação repercutiu mal entre parlamentares e entidades sociais.

O deputado Joel da Harpa (Pros) deu uma declaração polêmica na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ele disse na segunda (25) que a morte de bandidos em troca de tiros com a polícia não deve constar dos índices de violência do Pacto pela Vida. A declaração repercutiu mal entre parlamentares e representantes de entidades sociais.

A declaração do deputado foi feita num momento em que a segurança pública era discutida no plenário. Joel da Harpa contou que foi convidado a participar do debate. “Sinceramente, o Pacto pela Vida deve ser revisto em alguns pontos. E nesse ponto onde se coloca as pessoas que morreram no estado de homicídio. Tem marginal que morreu aí trocando tiro com bandido que não devia nem estar nessa relação aí, porque bandido que troca bala com polícia tem que morrer mesmo, porque o policial não vai morrer por causa de bandido. E o policial tem que se defender com a pistola que ele carrega na cintura e essa pistola que foi concedida pelo estado, porque ali está um policial que representa o estado, e ele não vai morrer com a pistola na cintura. Por isso que esses marginais que estão morrendo e estão entrando nos números do Pacto pela Vida como cidadão comum não deveria entrar”, discursou o parlamentar.

A declaração do deputado repercutiu entre os parlamentares. “Foi uma declaração lamentável, muito infeliz. Em primeiro lugar, ele é um deputado e deve se comportar, desse ponto de vista, cuidando do conjunto da população. É membro da bancada evangélica aqui na casa, é membro da Comissão de Direitos Humanos, então eu acho que foi uma declaração muito infeliz que não deveria partir de um parlamentar da Assembleia Legislativa de Pernambuco”, disse o deputado Edilson Silva (Psol), presidente da Comissão de Cidadania. “É a opinião de deputado, tem que ser respeitada dentro de uma opinião pessoal. O governo de Pernambuco, através do Pacto pela Vida, tem a obrigação de contar todas as mortes violentas. Se ela se deu dentro de um contexto de legítima defesa, cabe ao Judiciário fazer esse julgamento”, comentou Waldemar Borges (PSB), líder da bancada do governo.

O Pacto pela Vida, criado em 2007, é um programa de segurança pública que estabelece ações para diminuir a violência e monitora a quantidade de crimes cometidos no estado. Segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), no ano passado, de janeiro a abril, o Pacto pela Vida registrou 1.126 crimes violentos letais intencionais, que são os homicídios. Neste ano, no mesmo período, foram 1.304 ocorrências, um aumento de 15,8%.

O coordenador-executivo do Centro Dom Hélder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), José Ricardo de Oliveira, não concorda com a declaração do deputado Joel da Harpa. “Primeiro que foi uma declaração no nosso entender que foi absurda pra qualquer cidadão fazer uma declaração que foi feita por ele. E, segundo, o mais grave ainda, é por ser uma declaração de um deputado, um legislador e também de uma pessoa que pertence ao quadro da Polícia Militar”.

Joel da Harpa trabalhou como policial militar por 17 anos. Reformado como soldado, ele elegeu-se deputado estadual pelo Pros e está no primeiro mandato. O parlamentar pertence à bancada evangélica e também é membro da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular, além de coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Segurança Pública.

Ao NETV, telejornal local, Joel da Harpa confirmou o que disse no plenário. “O policial, para se defender, ele tem sim que usar sua arma de fogo e, muitas vezes, ou na maioria, infelizmente esses bandidos têm tombado com a vida. Então, que o policial fique vivo e que o bandido morra e que o policial não tenha nenhum medo em usar a força necessária para proteger a sua vida”, afirmou o deputado.

[b]Fonte: G1[/b]