O deputado Patrick Kennedy –filho do senador Edward Kennedy, morto em agosto deste ano– disse que foi impedido pelo bispo católico Thomas Tobin de receber a comunhão por defender o direito ao aborto, segundo entrevista publicada no site do diário “The Providence Journal”.

“O bispo me orientou a não receber a comunhão e disse ter instruído os padres de sua diocese a não me dar a comunhão”, afirmou o deputado pelo Estado de Rhode Island (costa leste). Tobin explicou a proibição alegando, segundo Kennedy, “que não sou um bom católico devido às posições que adotei como representante público”, principalmente com respeito ao aborto.

Ele não disse quando ou de que forma o bispo o impediu de receber o sacramento e não disse também se seguiu a orientação. O porta-voz de Tobin, Michael Guilfoyle, disse ao jornal em um comunicado enviado por e-mail que não comentaria as declarações sobre o impedimento imposto a Kennedy, mas manifestou dúvidas sobre a alegação de que outros padres teriam sido instruídos a não dar ao deputado a comunhão.

“O bispo Tobin nunca discutiu questões relativas a representantes públicos receberem a comunhão com outros padres da diocese”, disse Guilfoyle.

Tobin tem autoridade para impedir Kennedy de receber a comunhão na diocese de Providence, da qual Rhode Island faz parte, mas não de receber em outras dioceses.

A disputa entre Kennedy e Tobin teve início em outubro, quando o deputado disse em uma entrevista à CNSNews.com, na qual criticou os bispos católicos dos EUA por ameaçarem se opor a uma expansão do sistema de saúde do país, a menos que essa incluísse restrições maiores sobre abortos cobertos com recursos federais.

Tobin exigiu desculpas e um encontro; Kennedy respondeu em uma carta ao bispo que “o fato de discordar da igreja em alguns pontos não me torna menos católico”.

O bispo respondeu, por sua vez, em uma carta pública que a posição do deputado “é inaceitável à igreja e um escândalo para muitos de nossos membros. Isso diminui sua comunhão com a igreja”.

Fonte: Folha Online