Um tribunal israelense ordenou que Moti Maimon, acusado de incendiar no sábado uma loja que vendia carne de porco na cidade de Netânia e que diz ser “o Messias”, fique detido por 48 horas, afirma a edição eletrônica do jornal “Yedioth Ahronoth”.

“Retomaremos as operações”, disse o gerente da cadeia à qual pertence a loja, Tzvika Hershko, depois do incidente.

A loja, conhecida como Aviv, foi incendiada ontem, e, assim que o fato foi denunciado, a Polícia deteve um homem que estava no local do acidente e que, após um interrogatório, foi identificado como suspeito de participar de outros atos similares.

Desde que foi aberto, há um mês, o comércio vem enfrentando constante protestos de religiosos ortodoxos e de outros moradores da cidade.

Segundo a tradição judaica, a carne de porco é um alimento impuro, não apto para consumo. Na antigüidade, alguns líderes espirituais judeus preferiram a morte ao consumo desse tipo dealimento.

O porco não é considerado parte da comida “kosher”, aquela liberada ao consumo entre os judeus.

“Há outras lojas que vendem discretamente essa carne. Mas, de repente, um império da carne de porco abre suas portas no centro da cidade, onde vivem pessoas tradicionalistas. Não podemos fechar os olhos para esta afronta contra nossa fé”, comentou um morador sobre a loja incendiada.

Segundo Hershko, existem cerca de 40 estabelecimentos que vendem carne de porco na cidade, mas a Aviv foi aberta no centro de Jerusalém, o que gerou mal-estar entre alguns habitantes.

O Conselho Municipal de Netânia, cidade ao norte de Tel Aviv, aprovou no mês passado uma disposição que proíbe a venda do produto e de seus derivados na cidade, mas esta ainda não foi aprovada pelo Ministério do Interior.

A disposição também foi rejeitada por alguns vereadores e personalidades políticas.

A cadeia de supermercados Tiv Taam, que vende comida não “kosher” em outras áreas do país, tentou abrir um supermercado em Jerusalém.

Mas não conseguiu devido às ameaças de ortodoxos que ameaçaram incendiar a loja.

Fonte: EFE