A canonização de um santo do Brasil cria um momento favorável ao catolicismo no país, diz o teólogo e professor da PUC-SP Fernando Altemeyer.

Foi isso o que aconteceu, segundo ele, quando, em 2002, o papa João Paulo 2º transformou madre Paulina (1865-1942), italiana que passou boa parte da vida em Santa Catarina, em Santa Madre Paulina do Coração Agonizante, famosa como primeira santa do Brasil.

“A canonização fortaleceu muitos trabalhos religiosos, principalmente no Centro-Sul do país”, disse Altemeyer. “Estávamos em jejum de santo havia 500 anos. Se uma ítalo-brasileira já era bom, imagine agora com frei Galvão.”

Para Altemeyer, um dos fatores que explicam esse impulso é a “afinidade natural” que o brasileiro tem com o santo.

“O catolicismo, no Brasil, tem uma forte marca devocional, com muito santo e pouca missa e muita reza e pouco padre”, afirma.

Em termos econômicos, porém, o impacto da canonização pode não ser tão grande.

É essa a opinião de Maria Cristina Adami, funcionária da Secretaria de Turismo de Nova Trento (SC), onde madre Paulina viveu por 28 anos.

Segundo ela, todo ano, a cidade de 10 mil habitantes recebe pelo menos 80 mil turistas, mas sua economia não foi beneficiada pela canonização da santa. “As pessoas que vêm para cá, na maior parte, são de classe média baixa, trazem marmita, vêm e voltam no mesmo dia”, explica.

Os fiéis de maior poder aquisitivo, segundo ela, costumam se hospedar em praias da região, como Camboriú, fato confirmado por irmã Terezinha, do santuário de madre Paulina, que diz notar um aumento significativo do fluxo de fiéis nos dias de chuva.

Fonte: Folha Online