Depois de quase duas semanas de intensos debates entre a igreja sueca e a corte sobre a quebra de uma importante tradição na sociedade sueca, foi anunciado ontem o programa do casamento da princesa coroada, Victoria.

Durante a apresentação do programa do casamento, foi também anunciado que o desejo da princesa coroada em ser levada ao altar pelo pai, o rei Carl XVI Gustav, será realizado. O detalhe é que na Suécia, é tradição os noivos entrarem na igreja juntos. Esta tradição significa que o homem e a mulher são iguais e que ambos decidiram iniciar uma vida marital por livre e espontânea vontade. A tradição levanta uma série de debates onde por muitos anos lutou-se para evitar que a autoridade sobre a mulher passe do pai para o marido, de que a mulher não é propriedade do marido.

A igreja sueca se pronunciou em diversas ocasiões mostrando seu descontentamento com a decisão da princesa, inclusive enviando uma carta à princesa sugerindo e desaconselhando-a que ela levasse essa idéia adiante.

“Uma grande parte dos pastores se recusam a realizar casamentos que não seguem a tradição. Já outros o fazem sem problemas”, revela a a assessora de imprensa e arcebispa Ewa Almqvist.

O “Altar-gate”, como está sendo chamada a discórdia não é mais privilégio da Suécia. Grandes jornais na Irlanda, Austrália e Grand Bretanha estão comentando o assunto. Os jornais apontam que a decisão da princesa é sexista e desigual além de que os suecos estão com medo de que a princesa inicie uma nova tendência com seu casamento. Atualmente, apenas uma entre dez noivas decidem ser levadas ao altar pelo pai, no restante dos casamentos, ambos entram na igreja juntos.

O jornal Telegraph entrevistou a pastora e teologa Annika Borg que afirmou que as noivas suecas estão se inspirando em filmes Hollywodianos. “É uma decisão infeliz que a próxima chefe de estado escolha uma forma para se casar que não siga a tradição sueca.

A princesa coroada Victoria e Daniel Westling se casam dia 19 de junho na Storkyrka em Gamla Stan.

Fonte: O Globo