Em seus discursos sobre o aborto, Dilma e Serra conseguem desagradar tanto defensores quanto críticos da descriminalização.

Hoje, ambos dizem ser contra a ampliação dos casos em que o aborto é legal -gravidez decorrente de estupro e risco para a mãe.

“Ela tinha posições razoáveis, a favor da descriminalização. E ele sempre se mostrou aberto a discutir o problema. Agora tiram o corpo fora”, diz o médico Anibal Fagundes, do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas.

“A igreja tem poder sobre os políticos. Mas não tem sobre as pessoas, já que continuam abortando.”

O médico Thomaz Gollop, professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí, diz que os candidatos não chegam ao cerne do problema: as mulheres vítimas dos abortos clandestinos.

“O aborto clandestino é a terceira causa de morte materna no Brasil”, diz. “Quando você mostra à população que há mulheres morrendo, leva a discussão para outro nível, sem dogma ou preconceito.”

Para Lenise Garcia, presidente do Movimento Brasil sem Aborto, ambos deveriam apresentar projetos, como “fechar clínica clandestina, controlar a venda de medicamento abortivo e oferecer educação sexual”. “Ser simplesmente contra o aborto não resolve.”

[b]Fonte: Folha de São Paulo
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