Uma disputa por terras motivou dois ataques aos centros de operações do Movimento dos Estudantes Cristãos da Indonésia (GMKI, sigla em indonésio) e ao seu ministério principal, a Aliança das Igrejas Indonésias (PGI, sigla em indonésio), nos dias 26 e 28 de agosto.

Fontes alegam que um apossamento ilegal de terras em Jakarta causou a disputa entre o GMKI e uma empresa, a Kencana Indotama Persada, ocupado anteriormente pelo GMKI.

O GMKI e a PGI dividem um escritório localizado na área disputada. Fontes dizem que no dia 26 de agosto, voluntários da Ordem Pública – que normalmente é mediadora, mas que nesse caso colocou-se ao lado da empresa – atiraram pedras contra os escritórios das organizações cristãs, danificando portas, janelas e motocicletas dos estudantes.

De acordo com fontes, os estudantes teriam revidado, atirando pedras. Os assaltantes pularam o portão, procurando invadir o prédio da PGI, mas um segurança conseguiu detê-los.

No dia seguinte, o vice-governador de Jakarta, encontrou-se com o presidente da PGI, Andreas Yeangoe e com outros líderes da instituição. Ele desculpou-se pelo transtorno e comprometeu-se a compensar os estragos causados à propriedade.

Além disso, Engkartiasto Lukito, do Partido Golkar e Ara Sirait, do Partido Indonésio da Causa Democrática, foram ao local oferecer suas condolências, assim como Hasyim Muzadi, líder do Nahdatul Ulama, maior organização mulçumana da Indonésia.

Na terça-feira (28 de agosto), os voluntários da Ordem Pública atacaram mais uma vez as instalações, utilizando materiais ainda mais pesados, capazes de danificar as vidraças, além de outras partes dos prédios. Os estudantes presentes fugiram para o prédio do Instituto Bíblico da Indonésia que fica próximo ao local. Policiais que estavam nas ruas vizinhas nada fizeram.

Um envolvido na disputa ainda alertou o presidente do GMKI a permanecer “atento com sua vida”.

Fontes da agência de notícias Compass explicaram que a Ordem Pública poderia se beneficiar financeiramente ao proteger os interesses comerciais da Kencana Indotama Persada.

No dia 29, trabalhadores da empresa colocaram uma placa na área em disputa que a declarava como pertencendo à empresa.

Apropriação misteriosa

A propriedade em questão é um grande terreno originalmente de posse do governo colonial alemão, cedido à Fundação Escola Cristã Vereneging. A Vereneging doou a terra à Associação da Escola Cristã, que por sua vez a repassou para uma de suas filiais, a Fundação de Educação Cristã.

Apesar de ser ocupada por diversos ministérios e associações cristãos, fontes asseguram que a propriedade pertence à Fundação de Educação Cristã.

Sob as cláusulas da concessão de terras, ela não poderia ser legalmente vendida à entidades comerciais, de acordo com o advogado do GMKI, Nikson Lalu. Entretanto, em agosto de 2006, um membro do conselho administrativo da Fundação, agindo de maneira independente, vendeu um pequeno lote do terreno à Kencana Indotama Persada.

Fontes da do Compass apuraram que um posto de gasolina e escritórios de negócios já havia substituído outros escritórios dos ministérios na área concedida. Não era claro, porém, de que maneira se apropriaram do terreno da Fundação.

Fonte: Portas Abertas