Uma reunião no último dia 11 de fevereiro debateu a questão da Igreja Pentecostal Emanuel (GPI, sigla em inglês) no vilarejo de Keji, distrito de Ungaran, na província central de Java, que ganhou mais um prazo antes de ser completamente fechada pelo governo.

Participaram da reunião instituições muçulmanas locais, oficiais do vilarejo, o chefe da polícia distrital e representantes da igreja – incluindo a pastora Ribkah Harsinah.

“Eles insistiram em dizer que nós violamos o Decreto Ministerial sobre a permissão de construção de templos”, disse Harsinah, que tem liderado a congregação com mais de 35 cristãos por 21 anos.

Baseado no novo decreto, a igreja deve ter como provar a existência de pelo menos 90 membros, a aprovação de 60 vizinhos que professam outra fé e a aprovação das autoridades locais antes que a permissão para a igreja seja concedida. A permissão para uma construção separada é também requerida.

“Não há outra opção a não ser tomar as medidas legais. Nós assinamos uma declaração que cita dois pontos. Primeiro, não devem existir atos de violência enquanto o caso estiver em curso. Segundo, nós paramos a igreja e os programas com as crianças até que o caso seja resolvido”, disse a pastora.

Fechado pela comunidade

Em 24 de novembro de 2007, 150 muçulmanos extremistas e cidadãos locais entraram nos limites da igreja e forçaram os presentes a parar com todas as atividades religiosas.

A multidão mostrou à pastora Harsinah uma petição contra a igreja assinada por dezenas de cidadãos. Equipamentos da igreja foram destruídos e, para assegurar que a construção seria desocupada, o grupo fechou a entrada com galhos e folhas, pintou a parede com escritos em vermelho nas quais se lê: “fechado pela comunidade”.

“Qualquer um que abrir esta igreja novamente morrerá”, disse um dos perpetradores citado pela pastora Harsinah.

Suspeita de fraude

“A igreja foi fechada pela solicitação dos cidadãos”, disse o novo chefe do vilarejo Achmad Syakir, que abriu caminho ao tumulto em novembro. Syakir, que está no posto por apenas um ano, acusou a igreja de não possuir a permissão para construção de templo.

Entretanto, um ex-chefe do vilarejo informou que muitas das assinaturas foram falsificadas pelo chefe do vilarejo Achmad Syakir.

Permissão oficial

Desde quando foi fundada, em 1979, a igreja obteve o consentimento por escrito dos oficiais locais para a função de templo e para a condução dos cultos semanais.

Djawadin Saragih, um advogado que defende a igreja, acredita que a permissão era oficial e não deve ser revogada.

Segundo ele, o novo decreto começou a valer apenas em 2006, anos depois de a igreja ser estabelecida e oficializada. “Portanto, a lei não pode ser imposta sobre igrejas que foram estabelecidas antes do decreto. Ele [o decreto] pode se referir somente a centros de adoração que serão construídos em novos locais”, ele disse.

Programa das crianças

Em 2001, a igreja fechou uma parceria com a Compassion, uma organização mundial de adoção de crianças que possui uma divisão na Indonésia.

Mantida pela Compassion, a GPI distribuía auxílio financeiro que em parte cobria os gastos com escola e medicamentos das crianças pobres no vilarejo de Keji.

Além disso, a igreja mantém classes regulares para as crianças. “Nossos instrutores ensinam não somente lições básicas para incrementar os estudos das crianças nas escolas, mas também habilidades práticas como música, dança tradicional e artesanato”, disse a pastora Harsinah.

O programa, chamado Centro de Desenvolvimento da Criança (PPA), recebeu um acolhimento caloroso não só pelos cristãos da comunidade, mas também por aqueles que eram muçulmanos. Antes do fechamento, mais de 150 crianças de 3 a 21 anos participaram do PPA. A todas as crianças foram ensinados os valores cristãos nas classes, incluindo as 108 crianças muçulmanas.

O chefe do vilarejo Achmad Syakir via isso como uma intenção de cristianizar as crianças muçulmanas. “Isto é uma acusação infundada, porque nenhuma das crianças muçulmanas perdeu sua fé”, disse Harsinah. “Mesmo assim, nós poderíamos nos comprometer a tirar do currículo estas aulas se as pessoas se objetarem a ela”.

Contudo, isso foi uma razão forte o bastante para desativar o programa das crianças em 2007, juntamente com a igreja parceira. Os pais das crianças matriculadas negaram o pedido de fechamento e exigiram que o chefe do vilarejo reiniciasse o programa. Mas os pais não receberam resposta.

Luta de poder

O motivo do fechamento, entretanto, não foi só religioso. Na carta de Syakir à igreja, por exemplo, ele ordenou que todos os fundos do PPA – que podem exceder 200 milhões de rúpias (R$ 42 mil) por ano – fossem gerenciados pelo chefe do vilarejo.

Os cidadãos também informaram que em vez de observar as instruções islâmicas sobre o fechamento, Syakir estava mais interessando em ganhar popularidade na região. “Ele é um procurador de sucesso”, disse o chefe do Corpo de Cooperação entre Igrejas, o pastor Nataniel Didik Priyanto.

A reputação de Syakir entre os cidadãos começou a se deteriorar depois que ele falhou em cumprir as promessas dadas durante sua campanha eleitoral. Ademais, ele teria supostamente distribuído impropriamente fundos de desenvolvimento do vilarejo.

O relatório de avaliação da assembléia consultiva do vilarejo declarou: “Existem muitas reclamações da comunidade, e no topo dos problemas está o oficial do vilarejo”. O fechamento da igreja, dizem alguns, foi somente uma tentativa de desviar a atenção das pessoas de suas faltas e manter sua posição como autoridade no vilarejo.

Pontos de Oração

1. A Portas Abertas auxilia a igreja provendo assistência legal neste caso. Por favor, ore por sabedoria, coragem e perseverança para que seja encontrada uma solução permanente para esta situação.

2. Por favor, ore pela pastora Harsinah e por sua congregação. Que Deus possa fortalecer seu coração e sua fé em meio aos sofrimentos.

Fonte: Portas Abertas