Enquete revela que, entre os prefeituráveis da região do Grande ABC, o catolicismo é a religião predominante nos palanques, porém, para não perder espaço entre os evangélicos, alguns declaram-se apenas ‘cristãos’ como estratégia eleitoreira.

Às vésperas das eleições, a maior parte dos prefeituráveis da região do Grande ABC intensifica o trabalho de corpo a corpo, reage a ataques adversários, realiza comícios e apela a todas as crenças. Quando o assunto é religião, porém, o cuidado é redobrado para que votos não sejam perdidos em nenhum curral eleitoral.

Enquete realizada pelo Diário aponta o catolicismo como a religião predominante nos palanques de todos os municípios. A pesquisa também revela uma nova estratégia, cada vez mais utilizada por quem deseja vencer as eleições. Para não perder espaço entre os evangélicos, alguns declaram-se apenas ‘cristãos’.

Entre os 27 candidatos do Grande ABC, há somente um ateu (que não acredita em nenhum tipo de deus): Vladimir Trombini Campos, o Vladão (PCB), de Diadema. Aldo Santos (Psol), de São Bernardo, respondeu que não pratica religião e Raimundo Salles (DEM), concorrente em Santo André, preferiu não declarar sua preferência espiritual. O único evangélico declarado é Nilson Gonçalves (PR), de Rio Grande da Serra.

O especialista em marketing político Sávio Ximenes Hackradt diz que os eleitores não se pautam na religião para escolher os candidatos. “Vivemos num país de diversidade religiosa. De qualquer maneira, a estratégia é inteligente. Um candidato que se declara cristão, por exemplo, pode ser católico, mas desta forma não exclui os evangélicos.”

Buscar aceitação entre todos os setores da sociedade é uma das tarefas mais complexas da campanha, seja à Prefeitura ou à Câmara dos Vereadores. Em Mauá, por exemplo, a disputa pelos votos evangélicos é bastante intensa, como já revela a placa de saudação na entrada da cidade: ‘Em Mauá, Jesus Cristo é senhor’. Para se mostrar simpático ao nicho, o petista Oswaldo Dias optou por montar um comitê evangélico durante a campanha. Desde o início de setembro, representantes de diversas denominações entregam livretos, em cultos, com mensagens de apoio ao candidato, misturadas a passagens da Bíblia. Chiquinho do Zaíra (PSB) seguiu a mesma fórmula.

O atual prefeito de Ribeirão Pires e candidato à reeleição, Clóvis Volpi (PV), foi mais ousado. Visitou centro espírita, foi à missa, cumprimentou evangélicos. Ao responder a enquete do Diário sobre preferências pessoais, Volpi fez questão de afirmar que, apesar de ter sido criado na igreja católica, não é praticante. “Tive ligação com igreja evangélica, batista, por algum tempo.”

Em São Bernardo, o tucano Orlando Morando é sempre visto em eventos católicos. A mesma postura é adotada por seu principal concorrente, Luiz Marinho, apesar de o petista se declarar ‘cristão’. “É a estratégia mencionada”, exemplifica Hackradt. Outro representante do PT, o candidato Carlos Augusto César, o Cafu, de Rio Grande da Serra, adota postura contrária. À reportagem, Cafu declarou ser católico apostólico romano. “Fui até coroinha”, afirmou.

Fonte: Diário do Grande ABC