Um documento que aponta aspectos contrários à realização de pesquisas com células retiradas de embriões humanos congelados foi apresentado nesta segunda-feira à imprensa em Brasília (DF).

Quinze pessoas, entre professores, juristas, parlamentares e representantes de movimentos em favor da vida, assinaram a chamada Declaração de Brasília.

De acordo com o documento, experimentos desse tipo desenvolvidos nos últimos dez anos em países da Europa e nos Estados Unidos não avançaram no sentido da cura de doenças, já que, quando aplicadas em camundongos, as células embrionárias causaram rejeição ou tumores e por causa do risco nunca foram testadas em humanos.

Segundo a doutora em Microbiologia Lenise Aparecida Martins Garcia, professora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB), grandes empresas querem cobaias no Terceiro Mundo para dar andamento a pesquisas com seres humanos não autorizadas no resto do planeta pelo risco que oferecem.

“Existe o receio de que empresas que já investiram muito dinheiro em célula-tronco embrionária estejam interessadas em pacientes de outros países em que a legislação não seja tão restritiva em termos de proteção ao paciente e que haja uma pressão nesse sentido para que o assunto seja aprovado no Brasil”, afirmou.

Lenise foi uma das três pesquisadoras convidadas em abril do ano passado pelo Ministério Público Federal (MPF) para apresentar fundamentos científicos contrários ao uso das células embrionárias em audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o assunto.

Cabe ao STF julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pelo ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles, na qual ele questiona o artigo 5º Lei de Biossegurança, que autoriza pesquisas com células-tronco embrionárias no País.

Além da professora da UnB, outras duas pesquisadoras que participaram da audiência pública no STF assinam a Declaração de Brasília: Cláudia Maria de Castro Batista, pós-doutorada em Neurociências e professora-adjunta da UFRJ, e Alice Teixeira Ferreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Biofísica e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Bioética da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo elas, a inciativa do documento surgiu a partir de vários encontros do grupo em Brasília nos últimos 12 meses.

Fonte: Agência Brasil