Duas pessoas foram resgatadas vivas dos escombros da igreja de San Clemente, em Pisco, que desabou na quarta-feira em conseqüência do violento terremoto de 7,9 graus na escala Richter no Peru.

Segundo dados do corpo de bombeiros, já são ao menos 510 mortos, 1.500 feridos e milhares desabrigados em todas as regiões atingidas.

O resgate das duas pessoas realizado por equipes de bombeiros foi anunciado pela imprensa peruana. Em meio à tragédia, os habitantes de Pisco vivem agora a expectativa de encontrar mais sobreviventes.

Ainda não se sabe a identidade dos resgatados nem o local para onde foram levados. Mas os dois devem estar entre os feridos que estão sendo transportados via aérea até Lima para atendimento de urgência.

Na igreja estava sendo celebrada uma missa com a presença de centenas de fiéis quando aconteceu o terremoto de 8 graus de magnitude.

Devido ao caos que reina em Pisco, sem eletricidade, água nem comunicações, as autoridades municipais optaram por deixar os corpos dos mortos na praça principal, para serem reconhecidos por seus parentes e levados para serem enterrados.

Os desabrigados se queixam, além disso, das falhas na distribuição da ajuda de emergência. Eles exigem a presença das autoridades do governo para um censo dos afetados pela catástrofe.

Ajuda humanitária

O presidente do Peru, Alan García, viajou de helicóptero a Ica, uma cidade de 120 mil habitantes, e declarou estado de emergência. Os médicos peruanos do serviço estatal de saúde cancelaram uma greve por melhores salários para atender aos feridos.

“Houve uma resposta rápida e boa de ajuda da comunidade internacional, mesmo que o Peru não tenha pedido por ela,” disse García, durante uma visita à Pisco.

O governo brasileiro está entre os que enviarão ajuda. Na manhã desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para García para oferecer 46 toneladas de alimentos não perecíveis, além de medicamentos e tendas de campanha. A Força Aérea Brasileira transportará os alimentos de Vitória, no Espírito Santo, para Lima, capital peruana, até a sexta-feira.

Em Washington, o presidente dos EUA, George W. Bush, também ofereceu condolências pelo desastre. Um cidadão americano morreu na tragédia.

Falta eletricidade, água e serviço de telefonia no sul do Peru. O governo enviou para a região mais policiais, soldados e médicos, mas o tráfego rodoviário está paralisado na rodovia Panamericana.

Em Chincha, uma pequena cidade próxima a Pisco, um câmera da Associated Press contou pelo menos 30 corpos no pátio do hospital. Centenas de feridos estavam lado a lado nos jardins em frente ao centro médico, não apenas por causa da falta de leitos, mas por causa do medo de que novos terremotos derrubem o edifício.

Fuga de detentos

O terremoto derrubou o muro da prisão de Chincha e permitiu que 600 presos fugissem. Até agora, 29 foram recapturados, segundo o governo peruano.

A Cruz Vermelha do Peru demorou sete horas e meia para chegar a Ica e Pisco, por causa dos danos provocados nas rodovias.

Em Lima, 150 quilômetros ao norte do epicentro do sismo, apenas uma morte foi reportada. Mas os furiosos dois minutos do terremoto levaram milhares de pessoas a abandonar suas casas e buscar refúgio nas ruas.

Tsunami

Cientistas dizem que o terremoto que abalou a costa peruana foi “gigantesco” – um tipo de tremor semelhante ao registrado no final de 2004, no fundo do Oceano Índico, que gerou o tsunami que devastou as costas de países asiáticos.

O terremoto de quarta-feira ocorreu em uma falha onde a atividade sísmica é das mais fortes no planeta, entre as placas de Nazca e da América do Sul. A última vez que um terremoto de magnitude superior a 7 graus atingiu o Peru foi em 2005, quando o choque de 7,5 graus chegou a ser sentido na Floresta Amazônica, no leste do país. O tremor matou quatro pessoas. Em 2001, um terremoto de 7.9 graus atingiu a cidade de Arequipa, nos Andes, e matou 71 pessoas.

Fonte: Estadão