O telepregador muçulmano mais influente do mundo, o egípcio Amr Khaled, conquistou os corações de milhares de jovens oferecendo um Islã “chique”, que não entra em conflito com a vida moderna.

“Coexistência”, “respeito pelo outro”, “modernidade” e “democracia” são palavras que Khaled, de 40 anos, não deixa de utilizar na sua entrevista à Efe. Ele garante que é possível ser muçulmano e moderno ao mesmo tempo.

Para alguns críticos, ele é “o pregador dos ricos e das mulheres”. Ex-contador, sem formação de clérigo, ele desperta receios nos meios religiosos oficiais. Mas a sua presença em anúncios publicitários por todo o Cairo, ao lado de cantores e atores, prova a sua popularidade.

Amr Khaled anuncia o seu programa religioso, grande atração deste Ramadã, “O Paraíso em nossas casas”.

“O segredo do meu sucesso e da acolhida que recebo das massas de jovens é a minha forma de oferecer a fé muçulmana de uma maneira que não se choca com a vida contemporânea”, diz Khaled, no seu luxuoso chalé, nos arredores do Cairo.

Khaled foi o 62º colocado na lista de 100 pessoas mais influentes do mundo da revista americana “Time” em 2007. Sua fama atravessou as fronteiras do mundo árabe, com sua polêmica viagem à Dinamarca, no ano passado. Ele foi ao país para “explicar por que os muçulmanos se irritaram com as caricaturas do profeta Maomé”.

O astro da fé se considera um seguidor da vida de Maomé, mas com um estilo moderno. Optou por dialogar com os dinamarqueses e sugeriu projetos para “incentivar a coexistência”, ganhando por isso duras críticas dos clérigos tradicionais.

Khaled entende o século XXI. Ele divulga a sua mensagem em discos, livros, programas de televisão e de rádio e um site (www.amrkhaled.net). Seus textos são traduzidos para 18 idiomas, inclusive o hebraico.

Vestindo ternos elegantes e às vezes calças jeans, o pregador atrai os jovens com um Islã simples e leve. Mas por trás do seu estilo de publicitário sempre se oculta uma linha conservadora. Por exemplo, é um grande defensor do véu islâmico, ou “hijab”.

Em meio a brincadeiras e falando em árabe coloquial, Khaled se orgulha de, com suas pregações, ter ajudado o véu a tomar conta do Egito. “O ‘hijab’ em nenhum momento dificulta a comunicação para uma mulher que vive na Europa ou nos Estados Unidos” insiste, recomendando que as muçulmanas no Ocidente mantenham “o respeito à obrigação do Islã”. Ele mesmo, em vez da barba típica dos clérigos, mostra apenas um bigode bem aparado.

Khaled também foi apontado no ano passado como o “telepregador muçulmano mas famoso e mais influente do mundo” pelo jornal “New York Times”. Sua missão, afirma, é utilizar a fé para conseguir um renascimento entre os árabes.

O programa “Criadores de Vida”, exibido em vários canais de televisão por satélite, já revolucionou a juventude muçulmana.

Procurando estabelecer pontes entre os jovens árabes e os ocidentais, apresenta idéias para lutar contra o desemprego, o narcotráfico e o fumo, “sempre utilizando a fé como um motor”.

Para Khaled, o desenvolvimento em diversos setores é “um substituto do terrorismo alimentado pela falta da liberdade e pelo tratamento injusto do Islã no Ocidente”.

“Minha missão é plantar sementes, para desenvolver os jovens e a mulher nesta região”, afirmou Khaled, que se dedica a um curso de doutorado no Reino Unido sobre “Islã e Ocidente”.

A influência do pregador vem crescendo desde o fim dos anos 90, quando seu programa começou a fazer sucesso especialmente entre as classes egípcias mais altas. O Governo começou a se preocupar e em 2001 proibiu qualquer ato público de Khaled, se ele quisesse continuar vivendo no Egito.

Desde então Khaled vive entre o Egito, onde só grava seus programas de televisão, e o Reino Unido, onde dirige várias fundações e instituições.

Seja um fenômeno, uma moda ou uma tendência, Amr Khaled, com sua personalidade moderna, ganhou os corações de milhares de fãs no mundo muçulmano.

Fonte: EFE