O Exército do Islã, um grupo radical palestino, foi acusado pelo atentado que matou dezenas de cristãos no dia 31 de dezembro.

O ministro do Interior egípcio, Habib Al Adli, acusou neste domingo um grupo radical palestino, o Exército do Islã, pelo atentado contra uma igreja copta em Alexandria, que matou 21 pessoas e feriu cerca de 90 no dia 31 de dezembro. Um porta-voz do grupo citado pela agência de notícias Reuters negou a autoria do ataque.

“O grupo palestino Exército do Islã, vinculado à [rede terrorista] Al Qaeda, está por trás do atentado contra a Igreja do Santos em Alexandria”, declarou Adli, em um discurso exibido pela televisão estatal por ocasião do Dia da Polícia.

Al Adly disse que há “evidência conclusiva” do envolvimento do pouco conhecido grupo palestino, com sede na faixa de Gaza, no planejamento e execução do ataque. Ele sugeriu ainda que o grupo recrutou egípcios para ajudar no planejamento.

A investigação concluiu que o atentado foi cometido por um homem-bomba, que detonou os explosivos diante da igreja no momento em que os fiéis começavam a deixar o local, pouco depois da tradicional missa de Ano Novo.

O violento ataque levou a três dias de revolta do grupo cristão em Cairo e várias outras cidades. Foi o ataque mais violento contra os cristãos no Egito em mais de uma década.

A identificação de um grupo com base no exterior como o responsável fortalece a tese das autoridades egípcias de que o sectarismo interno não alimentou o ataque e que a Al Qaeda não tem uma base forte no país.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, já havia afirmado que “mãos estrangeiras” estavam por trás do atentado, cometido dois meses depois do braço iraquiano da Al Qaeda ter ameaçado os cristãos no país africano.

O Exército do Islã é acusado de participar do sequestro do soldado israelense Gilad Schalit, em 2006, e do jornalista da BBC Alan Johnston. No ano passado, Israel matou três membros do grupo em ataques separados, alegando que seus militantes planejavam atacar alvos israelenses e americanos na península do Sinai.

Um porta-voz do grupo disse à Reuters que o Exército do Islã “não tem conexão com o ataque à igreja no Egito, apesar de elogiarmos quem o tenha feito”.

Os coptas, uma vertente local do cristianismo ortodoxo que data do primeiro século depois de Cristo, representam 9% da população de 80 milhões de habitantes do Egito, em sua maioria muçulmanos sunitas.

Fundada pelo evangelista Marcos, a igreja cresceu separada do Vaticano e tem seu próprio papa. No mundo, possui 20 milhões de seguidores, metade no Egito.

A minoria copta reclama de enfrentar dificuldades em simples processos burocráticos. A licença para construir uma igreja, por exemplo, precisa ser assinada pelo presidente do país. Para erguer uma mesquita, em compensação, o processo pode ser autorizado por um funcionário de escalão mais baixo.

Os representantes cristãos em cargos políticos também são poucos –dos 32 ministros do ditador Hosni Mubarak, apenas dois são coptas.

[b]Fonte: Folha Online[/b]