O embaixador do Egito nos EUA, Sameh Shoukry, e o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, deram entrevistas a programas de TV americanos neste domingo.

Ambos reafirmaram as boas relações diplomáticas entre os dois países e a manutenção do tratado de paz assinado em 1979, após as duas nações travarem três guerras.

Dois dias após a renúncia do ditador Hosni Mubarak, após 30 anos no poder, Shoukry disse ao programa “This Week”, da rede ABC, que o tratado de paz com Israel tem sido benéfico para o seu país por três décadas e que ele espera que continue valendo, como afirmaram os líderes militares, no Cairo, ainda no sábado (12).

“Colhemos dividendos de paz a partir do tratado”, afirmou o embaixador.

“Fomos capazes de estabelecer a segurança e a estabilidade na região, e acredito que isso seja um elemento fundamental para a nossa política externa.”

ISRAELENSES

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, numa entrevista gravada para o mesmo programa, expressou cautela sobre a força potencial do grupo Irmandade Muçulmana do Egito em qualquer eleição que ocorra, mas disse que não vê uma ameaça nas relações entre as duas nações.

“Não acho que o relacionamento entre Israel e Egito esteja em risco, ou que qualquer risco operacional esteja à espreita, na esquina”, disse.

Barak afirmou que não achava que a revolta no Egito foi “algo parecido com os acontecimentos iranianos”, que criaram um Estado islâmico linha dura e inimigo declarado de Israel.

“Não foi algo organizado por grupos extremistas radicais de origem muçulmana”, ele disse. “Acho que eles [os egípcios] precisam ouvir as vozes do resto do mundo.”

IRMANDADE MUÇULMANA

Embora observando que a Irmandade Muçulmana não foi a instigadora dos protestos que destituíram Mubarak, o chefe da Defesa israelense manifestou a desconfiança de seu país de que o grupo esteja mais bem posicionado do que os manifestantes idealistas para ganhar as eleições no Egito.

“Depois, mais cedo ou mais tarde, o único grupo que é coerente, focado, pronto para matar ou morrer, se necessário, assume o poder”, disse ele.

“Isso deve ser evitado no Egito, pois poderia ser uma catástrofe para toda a região.”

Barak acrescentou, no entanto, que “não devemos compará-los levianamente aos grupos mais extremistas. É uma versão egípcia. Muito deles não são tão extremistas”.

Shoukry disse à ABC que os interesses do Egito ditaram seus laços com os EUA e que Washington pode contar com o apoio do Cairo na região.

“Essas questões são movidas por interesses mútuos, pelos interesses egípcios, e o interesse continua sendo uma associação estreita com os EUA”, reafirmou o embaixador do Egito nos Estados Unidos.

[b]Fonte: Folha Online[/b]