“Não é uma exigência teológica”, diz o líder da Conferência Episcopal da Alemanha. O Papa Bento 16 deseja que haja mais vocações para que “a Igreja possa continuar sua missão evangelizadora”, mas não explicou como pretende conseguir isso.

Milhares de paróquias não têm sacerdote na Espanha ou são dirigidas por padres vindos de outros países. Alguns são casados e têm filhos. Se fossem espanhóis não poderiam exercer, apesar de o bispado de Tenerife ter ordenado sacerdote no ano passado um pastor anglicano converso, com mulher e filhos.

É o eterno debate do celibato opcional do clero. Ele foi reaberto pelo novo presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, o arcebispo Robert Zollitsch. Ele substitui o cardeal Karl Lehmann, que estava no cargo havia 20 anos. Zollitsch apostou em “um catolicismo aberto” e apontou dois caminhos: um apoio hipotético aos casais homossexuais de fato e “a eliminação do celibato obrigatório”. O prelado salientou o que já se sabe: que a relação entre o sacerdócio e o celibato não é necessária do ponto de vista teológico.

A voz do prelado alemão não foi a única esta semana a favor do celibato opcional. Os presbíteros do Brasil sugeriram essa alternativa no documento final de sua reunião anual, na terça-feira passada. Também pedem ao Vaticano “orientações mais seguras e definidas sobre o acompanhamento pastoral para os casais de segunda união”, isto é, os católicos divorciados que se casam de novo. Os 430 delegados que participaram do 12º Encontro Nacional de Presbíteros no estado de São Paulo representavam 18.685 sacerdotes de 269 dioceses brasileiras.

As duas reivindicações são contrárias às normas que a Igreja Católica se negou a discutir até hoje. As resoluções serão analisadas pelo prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, o cardeal Claudio Hummes, também brasileiro e que já admitiu em dezembro de 2006 que “embora o celibato faça parte da história e da cultura católicas, a Igreja pode refletir sobre essa questão, pois o celibato não é um dogma, mas uma norma disciplinar”.

“Bem-vindas sejam notícias como essa. Especialmente é motivo de profunda alegria que um episcopado do significado do alemão formule que a Igreja deve avançar conscientemente em um tema tão importante para a comunidade eclesiástica como o do celibato opcional e livre dos sacerdotes. Além disso, é maior nossa alegria quando a notícia vem unir-se à voz de outros bispos, cardeais e comunidades que pedem o mesmo há anos”, disse ontem o espanhol Julio Pinillos.

Sacerdote casado, Pinillos também foi padre operário e hoje ganha a vida como professor. Embora não oficialmente, continua com uma atividade pastoral em um bairro periférico de Madri.

No mundo há 80 mil sacerdotes casados (40 mil na Espanha), bem organizados e em diálogo com muitas conferências episcopais para avançar para o celibato opcional, “sempre dentro da fidelidade ao Evangelho”, salienta Pinillos, que foi dirigente desse movimento durante anos.

Fonte: El País