Mitt Romney, mesmo sendo mórmon, tem tido o apoio da maior parte dos evangélicos brancos pelas suas posições contrárias ao aborto e casamento homossexual. Barack Obama frequenta a igreja que foi a primeira a ter um pastor gay.

Mitt Romney tem feito um grande esforço para não falar sobre sua crença mórmon, apesar de ser um membro ativo e ter liderado uma congregação em Boston. Mas ao mesmo tempo, ele se apresenta como um candidato presidencial que tem fé religiosa. O objetivo é atrair o apoio de integrantes de outras religiões que compartilham suas posições sociais conservadoras.

O professor de Política Americana Kelly D. Patterson diz que Mitt Romney tem reforçado a fé de forma mais ampla porque precisa conquistar votos além da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para se eleger. “Não faz sentido ele enfatizar a sua particularidade diante dos eleitores, ele tem que apontar o que eles têm em comum”, afirma. Patterson reflete sobre o assunto de seu escritório na BYU, universidade mórmon em Provo da qual Mitt Romney foi aluno.

A estratégia do republicano tem dado certo. Ele tem angariado o apoio da maior parte dos evangélicos brancos. De acordo com levantamento do Centro de Pesquisa Pew realizado de 4 a 7 de outubro, Mitt Romney tem 73% destas intenções de votos, contra 21% para o presidente Barack Obama. Os evangélicos são atraídos pelas suas posições sociais conservadoras, como as contrárias ao aborto e casamento entre homossexuais.

O presidente Barack Obama, por outro lado, frequenta a Igreja Unida de Cristo, religião de denominação protestante que se orgulha de ser inclusiva das minorias raciais, gays e lésbicas. A igreja, que se descreve como muito plural e diversa, foi a primeira denominação protestante a ter um pastor gay, o reverendo William R. Johnson, em 1972. E desde 2005 apoia abertamente casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Mas seja qual for a religião, ter fé é fundamental para se eleger nos Estados Unidos, país que dificilmente terá um presidente ateu. O motivo é que a religião é muito importante entre os americanos, fato que Patterson testemunha diariamente em Utah, região historicamente mórmon e republicana. “Muitos indivíduos acreditam em Deus e vão à igreja regularmente. Por isso, se identificam com candidatos que têm uma fé”, afirma.

Entre os exemplos da influência da religião na política, está o discurso anual do presidente para o Congresso chamado “Estado da União”. Ao final da fala, já é tradicional que o presidente diga “Que Deus abençoe os Estados Unidos da América”. Além disso, todos os ex-presidentes americanos tinham uma religião, como Bill Clinton, que era evangélico.

Mas claro que Romney conta, primeiramente, com o apoio da comunidade mórmon espalhada pelos Estados Unidos. Eles votam no republicano porque têm a mesma crença e tiveram mesmo tipo de experiências de vida. Mas Patterson garante que a religião é apenas parcialmente responsável por suas políticas. “O fato de que cresceu numa família mórmon moldou parte dos seus valores, mas também tem outros fatores, como sua história, raça, gênero e filiação partidária”.

[b]Votação em Provo tem diminuído
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Apesar de a maioria dos moradores de Provo, em Utah, serem mórmons e republicanos, a tendência é que poucos votem nas eleições presidenciais. O motivo é o sistema de colégio eleitoral, que certamente contará o Estado como republicano, por causa do histórico de votos. E já que o voto é facultativo, não faz muito sentido votar nas eleições.

Para Patterson, esse é o lado ruim de morar num Estado tão republicano. “Aqui, os candidatos nunca aparecem, nós recebemos poucos anúncios na TV e o pessoal fica pouco engajado”. A falta de competição política fez com que a região, que estava entre as cinco que mais votavam nos Estados Unidos, caísse para as cinco que menos votam.

[b]Fonte: Jornal do Brasil[/b]