O fechamento da Igreja Maná em Angola está a ser “religiosamente” cumprido por esta confissão ao ponto de os seus principais locais de culto em Luanda estarem totalmente fechados e com polícia à porta, constatou neste domingo a Agência Lusa.

A Igreja Maná foi mandada fechar por decreto-lei emitido pelo ministro da Justiça na semana passada, justificado por repetidas “violações à lei” e à ordem pública.

Hoje, nos principais centros de culto da Igreja Maná, em Luanda, a presença da Polícia Nacional e a ausência da tradicional concentração de fieis aos domingos junto dos templos não deixa dúvidas de que o decreto-lei está a ser seguido à letra.

Na sua sede nacional, no Golf 2, nos subúrbios de Luanda, um dos elementos da Maná angolana disse à Lusa que apesar dos templos estarem fechados, a Igreja está, “de acordo com a lei”, a proceder em sua defesa, principalmente através da assinatura de um abaixo-assinado endereçado ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

No chamado Quarteirão das Igrejas do Golf 2, por causa do grande número de igrejas e seitas que ali concentram as suas sedes e templos maiores, só o espaço da Maná, um dos maiores da área, estava em silêncio, sendo grande o movimento de crentes nos territórios das restantes confissões.

Entretanto, no documento que vai ser enviado a José Eduardo dos Santos, os assinantes alegam ter deixado de possuir “liberdade para professar livremente a religião” no seio desta igreja.

Em causa está o Decreto Executivo nº6/08, de 25 de janeiro, através do qual foi ordenado o fim das atividades daquela confissão religiosa no país.

No abaixo-assinado intitulado “Defesa da Liberdade Religiosa e Exercício de culto dos Fiéis”, os praticantes desta religião pedem liberdade para expressarem a sua fé em público, uma maior abertura religiosa e que “não sejam impedidos de amarem Cristo da forma que entendam escolher como a mais adequada”.

“(…) Temos direito à liberdade de culto e seu exercício(…), uma vez que a Constituição refere que a liberdade de consciência é inviolável”, refere o abaixo assinado.

A igreja Maná, que tem cerca de 800 mil fiéis em Angola e mais de 500 casas e templos, viu anulado o seu reconhecimento pelo governo angolano através do decreto de Lei 14/92 no Diário da República de 25 de janeiro.

Entretanto, a Igreja Maná, segundo o seu líder máximo, o “Apóstolo” Jorge Tadeu, vai recorrer da decisão do governo de Angola.

“O nosso advogado disse-nos que o que estão a fazer é um ato inconstitucional”, disse à Lusa Jorge Tadeu, adiantando que o defensor da instituição “vai impugnar” a decisão.

Um decreto publicado no dia 25 de janeiro no Diário da República de Angola sustenta a decisão de revogação do reconhecimento oficial da Igreja Maná com a conclusão de um processo instaurado pelo Ministério da Justiça onde foram detectadas “violações sistemáticas” da lei angolana e da ordem pública.

Numa entrevista concedida à Lusa, Jorge Tadeu garante que nem os dirigentes da Igreja Maná em Angola – o bispo Joaquim Muanda e o bispo Miguel Carvalho – nem os líderes em Lisboa foram “chamados, notificados ou acusados de coisa nenhuma”.

“Fomos apanhados de surpresa”, garantiu o líder religioso, acrescentando que os responsáveis da instituição estão a lidar com o assunto com toda a serenidade.

“O nosso advogado diz que estamos a proceder bem. Vai impugnar o ato e está muito otimista porque nunca fomos ouvidos”, acrescentou.

O fundador e líder da Igreja Maná disse ainda que o decreto contém imprecisões, entre as quais a de que o processo é contra “a Igreja Maná representada por Jorge Tadeu”.

Uma das polêmicas em que a Igreja Maná esteve envolvida foi fechada em maio de 2007, quando o bispo José Luís Gambôa foi suspenso por suposto desvio de fundos que teriam sido doados pela petrolífera Sonangol, com o objetivo de construir uma escola, conta.

No entanto, o bispo Joaquim Muanda, que substituiu José Luís Gambôa na liderança Maná em Angola, disse publicamente que não havia provas de que esse dinheiro fosse fruto de uma doação da Sonangol, onde o seu antecessor trabalhava.

Mas o próprio ex-bispo Gambôa confirmou na imprensa angolana naquela época que a verba em causa, cerca de um milhão de dólares, estava na sua conta bancária pessoal, tendo-a retirado da Igreja.

A justificação para o que fez, segundo o próprio, era impedir que o dinheiro fosse transferido para Portugal, alegando que deveria ser gasto em Angola, onde foi angariado.

Instalada em Angola há 20 anos, a Igreja Maná está implantada em Angola nas províncias de Benguela, Huila, Huambo, Namibe, Moxico, Malange, Lunda Sul, Cabinda, Bengo, Cunene e Luanda.

No mundo, a Igreja Maná tem presença em 20 países, uma dezena deles africanos, e propôs-se na gênese levar a palavra de Cristo a todos os falantes da língua portuguesa.

Fonte: Lusa