Num clima de discreta celebração, e no meio de um contexto de tensão na Cidade do México, depois da recomendação do governo que se evitassem concentrações por causa da gripe suína, a Igreja Luterana Mexicana ordenou, no sábado, 25, as três primeiras pastoras ao ministério sacerdotal.

Na Congregação Luterana “O Bom Pastor”, da colônia Lombas de Chapultepec, capital, as bacharéis em Teologia Ángela Trejo, María Elena Ortega e Sofía Tenorio receberam a ordenação ao ministério da Palavra e dos Sacramentos.

O ato litúrgico foi coordenado pelo reverendo Daniel Trejo Coria, presidente da Igreja Luterana Mexicana, acompanhado pelos reverendos Moisés Pérez, David Brondos e José R. Alcântara, professores do Seminário Luterano Augsburgo, casa formadora teológica das igrejas luteranas do México.

A pregação e a ordenação foram ministradas pela pastora Raquel Rodríguez, da Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos (ELCA, a sigla em inglês).

A autoridade é para servir e conferiu ao ministério ordenado um sentido renovado, ao modo de Jesus, em que as estruturas eclesiásticas herdadas de sistemas patriarcais demonstraram sua obsolescência, disse a pregadora.

Ela lembrou a gripe suína que se espalha pelo país e afirmou que as lideranças religiosas devem estar dispostas a servir através do compromisso de apoio à cidadania, que espera um depoimento cristão de solidariedade.

A pastora Raquel Rodríguez, encarregada do escritório para America Latina da ELCA, lembrou às colegas que ingressavam no ministério que elas encontrariam pedras no caminho, num país como o México, onde os modelos sociais estão impregnados pela injustiça e falta de reconhecimento de equidade de gênero, de modo especial no âmbito religioso.

O exemplo que a igreja luterana dá ao ordenar três pastoras é um desafio profundo às igrejas, sobretudo de tradição protestante, que se distinguiram por posicionar-se na trincheira mais conservadora da teologia quanto à interpretação eclesiológica da Bíblia, mesmo correndo o risco de negar a igualdade em dignidade que assiste à humanidade enquanto imagem de Deus, destacou Rodríguez.

A ordenação não é o final nem a meta, é só o princípio, apontou a pastora Rodríguez, ao lembrar às novas pastoras que elas enfrentarão constantes desafios no ministério, mas que devem seguir os passos de Jesus Cristo no meio de sua Igreja e do povo sofredor do México.

A ordenação de Ángela, Sofía e María Elena foi uma oportunidade para que líderes de diferentes tradições cristãs se unissem a esta festa de espiritualidade comunitária. Lá estiveram pastores batistas e anglicanos.

As três pastoras receberam a bênção em hebraico e imposição das mãos da Dra. Shulamith, rabina judia messiânica.

Fonte: ALC