O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em uma rara entrevista a uma TV de Israel que é possível alcançar a paz no Oriente Médio dentro de cinco anos, mas que o país terá de aproveitar essa oportunidade.

“Provavelmente não teremos uma oportunidade melhor do que temos agora. E ela tem de ser aproveitada”, disse Obama em entrevista transmitida pelo Canal 2 apenas, dois dias depois de uma amistosa visita do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, à Casa Branca.

Mas, falando em Nova York, Netanyahu sinalizou que Israel não estava preparado para prorrogar a moratória parcial na ampliação dos assentamentos judaicos em territórios ocupados, o que é uma das principais exigências dos palestinos para retomar o processo de paz. A moratória foi adotada por pressão dos Estados Unidos e expira em setembro.

“Acho que já fizemos o suficiente”, disse Netanyahu à entidade Conselho de Relações Exteriores, quando questionado sobre a prorrogação da moratória nas construções. “Vamos continuar com as negociações.”

Na entrevista, Obama qualificou de “excelente” o seu encontro de 80 minutos com Netanyahu na terça-feira, durante o qual fez um apelo pela retomada das negociações diretas entre palestinos e israelenses, ao invés dos contatos indiretos mediados atualmente pelos EUA.

Questionado sobre a possibilidade de um acordo de paz no Oriente Médio ainda durante o seu mandato, que termina em 2013, Obama respondeu: “Acho que sim”.

Mas ele alertou que o processo será desgastante. “Vai ser difícil. O fato de (Netanyahu) não ser visto como uma pomba (pacifista) pode de certa maneira ser útil”, disse Obama, referindo-se à possibilidade de ele unir a direita e a esquerda de Israel em torno de um eventual acordo.

Na opinião de Obama, Netanyahu é “alguém que entende que temos uma janela bastante estreita de oportunidade”, enquanto políticos moderados estiverem à frente da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

“Tive a impressão de que o primeiro-ministro Netanyahu não está interessado em apenas ocupar um espaço, uma posição, mas em ser um estadista e colocar seu país num caminho mais sério”, acrescentou.

Israel e os palestinos abandonaram suas negociações diretas no final de 2008, mas desde maio desde ano participam, com resultados modestos, de um processo indireto sob mediação do ex-senador norte-americano George Mitchell, enviado especial de Obama para a questão do Oriente Médio.

Fonte: Folha Online