A três meses do quinto aniversário da morte de Jean Charles de Menezes, a Scotland Yard está sendo acusada de mais uma operação desastrada envolvendo brasileiros: um grupo de músicos evangélicos paranaenses entrou com queixa-crime contra a corporação, alegando ter sofrido maus-tratos durante uma operação na noite do último dia 18.

Segundo os brasileiros, além de ameaçado com revólveres e agredido, o grupo teve um de seus integrantes atordoado por uma arma de choques elétricos.

Identificados apenas como Adiel, Thiago, Luiz André e Herigo, e a menor KMM, o grupo entrou com queixa-crime junto à IPCC, órgão que investiga casos de abusos cometidos por forças policiais do Reino Unido, com auxilio da Casa Brasil, ONG que oferece serviços de assistência a imigrantes brasileiros no país. Segundo presidente da ONG, Carlos Mellinger, os cinco paranaenses, que estão em situação legal no país, exibiram a cópia de um boletim de ocorrência feito pela equipe de uma ambulância chamada ao local pela própria polícia.

– O boletim fala em escoriações e em hematomas, e os rapazes contaram que foram tratados com uma truculência que lembra muito mais os desmandos da polícia brasileira. É um absurdo que a Scotland Yard não tenha aprendido nada com o caso Jean Charles – afirmou Mellinger, numa referência à desastrada operação policial em que, em 2005, o eletricista mineiro foi executado num trem do metrô de Londres ao ser confundido com um suspeito de terrorismo.

O incidente do último dia 18 pode ter sido algo do gênero: segundo os paranaenses, que viajavam num Golf preto depois de participar de um culto numa congregação evangélica em Willesden, no norte de Londres (faziam parte da banda da igreja), pelo menos oito viaturas policiais se juntaram à cena após o carro ter sido fechado por um veículo da polícia em Brixton, região do sul de Londres que, nos últimos anos, tem sido palco de problemas com gangues e tráfico de drogas.

A Scotland Yard se recusou a comentar o caso, afirmando que só vai se pronunciar após a análise da IPCC. Nos últimos anos, a força tem sido alvo de críticas e de sindicâncias relacionadas a casos de abuso de poder. Porém, a morte de Jean Charles resultou apenas numa multa para a corporação.

Fonte: O Globo online