O tom de concórdia que cercou a nota divulgada nesta terça-feira pela Arquidiocese de Campo Grande em torno das confusões nos últimos dias com a família dona da imagem de Nossa Senhora de Fátima que verte mel não contagiou o “dono” da imagem, José Rezek.

Pelo menos é o que transparece nota divulgada nesta quarta-feira por ele.

Rezek apresentou uma nota com um texto impecável e em muitos trechos ácidos onde responde o pronunciamento do arcebispo Dom Vitório Pavanello. Ele abre dizendo que já que o clima é de diálogo, compreensão e bondade, “segundo nos adverte o fenômeno do mel, tomo a liberdade de também manifestar-me em nome de minha família e dos milhares de peregrinos que, todos os dias, visitam o local.

Em seguida, ele minimiza a preocupação “exagerada” da investigação do fenômeno para saber se trata-se ou não de milagre e emenda uma frase atribuída ao padre Luiz Ferracine, que já foi ligado à diocese da Capital e hoje é ligada à de São Paulo, que diz que “não interessa se é ou não é milagre. Deus não rege nossa vida através de milagres e sim por sinais”.

A nota segue dizendo que sinais geram reflexões e conclusões e no caso a mensagem é: “mel e não fel. Bondade e não violência para as relações humanas”. O texto diz ainda que padres e bispos não são produtos de milagre e simplesmente são aceitos em “puro clima de fé e de respeito”.

Em outro trecho, o nome de Ferracine é novamente citado, como o padre que ajudou a família no caso de “ameaças lancinantes”. É atribuído a ele o pedido por proteção policial à família.

A nota assinada por Rezek diz ainda que todos os padres que “vierem em espírito de fé e respeito” serão aceitos. A rejeição é para quem é mal intencionado. No encerramento da nota, a acidez com a Arquidiocese:”Nestes termos agradeço a atenção e peço que seu governo religioso fique impregnado de doçura e bondade; sem autoritarismo e ríspido a fim de cercear a fuga dos fiéis para outras igrejas”.

Guerra Santa

Mais do que pacificar, a posição do “dono” da imagem aquece o clima com a Arquidiocese. O padre citado por duas vezes na nota, Luiz Feracine, travou polêmica há cerca de três anos com o comando da Igreja Católica na Capital. Ele defendia a investigação de uma acusação de exploração sexual contra o então bispo de Jardim, Dom Bruno Pedron. A divergência rendeu uma nota pública com reprovações a Feracine, que foi afastado das funções e inclusive da Eucaristia.

Ele também é advogado e integrou o Tribunal Eclesiástico Regional. Na época, Feracine não poupou críticas ao arcebispo, a quem chegou a chamar de ladrão. O bispo acusado disse que era vítima de tentativa de extorsão.

Fonte: Campo Grande News