Um relatório elaborado por um advogado –cujo conteúdo foi divulgado nesta segunda-feira– denuncia que crianças de um monastério da Igreja Católica na região da Bavária (Alemanha) foram “sadicamente atormentadas” e também sofreram abusos sexuais por parte de padres.

O advogado que investiga as denúncias de abusos, supostamente cometidos em um monastério beneditino em Ettal, apresentou um relatório à Arquidiocese de Munique e Freising nesta segunda-feira, que possui 173 páginas com relatos de vítimas dos abusos.

“Minhas investigações apontam que, durante décadas e até 1990, crianças e adolescentes foram brutalmente abusados no monastério de Ettal”, disse Thomas Pfister no documento. “O número de vítimas cresceu significativamente desde o relatório parcial que foi divulgado em 5 de março”, acrescentou ele, que disse que centenas de crianças foram vítimas na escola.

Um porta-voz da arquidiocese se recusou a comentar sobre o número de vítimas em uma coletiva de imprensa na semana passada. O relatório divulgado por Pfister no mês passado apontava que havia ocorrido casos “graves” de abusos na escola. Segundo ele, um monge que já faleceu esteve envolvido em “sérios casos de abuso e assédio sexual contra alunos”.

Na semana passada, clérigos na Alemanha usaram os sermões de Páscoa para rezar pelas vítimas de abusos, enquanto a imagem da Igreja Católica ficou seriamente abalada pelas denúncias. Milhares de fieis se dizem desapontados e já ameaçam deixar a igreja.

Manual

O Vaticano divulgou nesta segunda-feira um manual sobre o procedimento da Igreja Católica para os casos de abusos sexuais de crianças por padres. No documento, publicado no seu site, a Santa Sé pede que os casos de padres pedófilos sejam denunciados “sempre” à autoridade civil e que, nos casos mais graves, o papa pode reduzir os religiosos diretamente ao estado laical –sem a necessidade de um julgamento canônico.

Segundo o vice-porta-voz do Vaticano, Ciro Benedettini, não se trata de um novo guia, mas da revisão de um documento redigido em 2003 e que foi publicado hoje “em nome da absoluta transparência” pregada pelo papa.

O documento, que não traz novidades ao que o próprio papa Bento 16 já havia pedido em carta aos fiéis da Irlanda, é a maior cartada do Vaticano para responder não só as recentes denúncias de pedofilia, mas às denúncias de que a Igreja Católica se calou diante de centenas de casos.

Até mesmo o papa foi acusado de omissão para os abusos cometidos por padres quando era arcebispo de Munique, na Alemanha, entre 1977 e 1981, e durante os 25 anos em que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, antes de ser eleito pontífice em 2005.

Benedettini explicou que o guia de atuação foi definido pela Congregação para a Doutrina da Fé, mas nunca havia sido tornado público. “A lei civil referente à denúncia dos crimes às autoridades apropriadas deve ser sempre seguida”, explica a Santa Sé, escrevendo expressamente pela primeira vez que recorrer às autoridades civis é obrigatório.

Fonte: Folha Online