Católicos, evangélicos e budistas promoveram em São Paulo um culto ecumênico em homenagem as vitimas do terremoto no Japão.

Associações que representam a comunidade japonesa promoveram nesta quinta-feira (17) em São Paulo um culto ecumênico em homenagem as vitimas do terremoto que devastou o Japão.

Representantes católicos, evangélicos e budistas comandaram a reunião realizada no auditório da Sociedade Brasileira da Cultura Japonesa, na Liberdade, tradicional bairro da colônia japonesa na capital paulista.

No evento ecumênico o reverendo budista Kensho Kikuchi, 73, acusou a “prepotência humana na busca de dominar a natureza e ter cada vez mais comodidades”, como parte da causa da tragédia que vive hoje o Japão, referindo-se aos acidentes na usina nuclear da província de Fukushima –que ocorreu após terremotos e tsunami.

Ele é presidente da Federação das Escolas Budistas do Brasil, e foi o primeiro entre os três líderes religiosos presentes a transmitir mensagens de solidariedade e fazer orações.

O padre Paulo Go Kurebayashi, 33, que representou a Igreja Católica, leu um trecho do livro do Apocalipse da Bíblia, afirmando que se tratava de mensagem de esperança. Pedia que Deus “acolhesse as vítimas da tragédia”, e desejou “felicidade aos que ficam”, apesar de tudo.

Já o pastor Mitsu Nagaki, representando as igrejas evangélicas, leu o salmo 90 da Bíblia, evocando a fugacidade da vida. A força dos imigrantes japoneses no Brasil também foi lembrada.

Os líderes cristãos fizeram seus discursos tanto em japonês como em português (com sotaque); e o budista, que vive no Brasil desde novembro, falou em japonês e depois uma tradução foi lida pelo mestre-de-cerimônias.

O cônsul-geral do Japão em São Paulo, Kazuaki Obe, precedeu os líderes religiosos com um discurso, relembrando os terremotos, tsunami e perigo nuclear, juntos representando “a maior tragédia no Japão, desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)”.

Também estavam presentes cônsules de outros países, como Estados Unidos e Espanha. A vice-prefeita da cidade, Alda Marco Antônio, assim como parlamentares nipodescendentes, como a deputada federal Keiko Ota e o vereador Ushitaro Kamia, também compareceram à cerimônia.

O vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Tomio Katsuragawa –organização que sediou o evento na Liberdade–, conta que a iniciativa visa atender às pessoas que se sentem “impotentes” ao tentar ajudar os japoneses.

TRADIÇÃO

No final do evento, flores brancas, crisântemos, foram entregues aos presentes e depositadas em mesa diante do palco, como símbolo de solidariedade às vítimas. Flores também estavam presentes no palco: os líderes religiosos curvavam-se diante de um ikebana, arranjo artístico tradicional japonês.

A tradição japonesa estava presente também na música que acompanhava as cerimônias.

O flautista Danielo Tomac, 45, usou um shakuhachi, tipo de flauta japonesa de bambu com apenas cinco furos que vem desde a época medieval e é usada para músicas meditativas.

[b]Fonte: Folha Online[/b]