A China quer “melhorar” as relações com a Santa Sé e está convencida de que a Igreja Católica continuará a se desenvolver no país asiático “de modo saudável e estável”, declarou o embaixador chinês na Itália, Ding Wei.

Em entrevista a uma revista local, o diplomata falou dos bons vínculos bilaterais entre Pequim e Roma, e dos laços mantidos com o “pequeno Estado”, a Cidade do Vaticano, sede do governo da Igreja Católica.

“Estamos animados de boa vontade e desejosos de melhorar o relacionamento com a Santa Sé”, assegurou Ding Wei, enfatizando que, na China, “a liberdade religiosa está sancionada na Constituição”.

O embaixador comentou que a católica, “como todas as grandes religiões, teve seu papel na evolução do nosso mundo” e ressaltou que “a difusão do catolicismo tem muitos séculos de história”.
Segundo ele, é preciso reconhecer “que nos últimos 50, 60 anos” a instituição “gozou no nosso país de um bom desenvolvimento”.

“Nós, chineses, estamos radicados no princípio, que reafirmamos, de amar a pátria, amar a Igreja e gerir de modo independente os assuntos religiosos”, continuou Ding.

Os fieis católicos no país oriental, assinalou o diplomata, são hoje cerca de seis milhões de pessoas –em uma população de cerca de 1,4 bilhão de habitantes- e “em muitas cidades, incluindo as principais, como Pequim, Xangai, Tianjin, há vários chineses católicos”.

A China não reconhece a autoridade do papa desde 1951, ano em que bispos designados pelo governo de Mao Tse-tung foram excomungados. Os dois Estados não possuem relações diplomáticas.

[b]Relações diplomáticas [/b]

O Vaticano estima que a China abrigue entre oito e 12 milhões de católicos, divididos entre os pertencentes à Igreja oficial –controlada pelo governo comunista e conhecida como Patriótica– e a clandestina, em comunhão com Roma, que é perseguida pelas autoridades de Pequim.

As paróquias da Igreja Católica são “clandestinas” pois os regimes políticos da região têm regras especiais quanto à presença da instituição.

Um dos pontos que geram polêmica entre Pequim e o Vaticano é a nomeação dos bispos, pois Roma reivindica que estes só podem ser designados pelo papa, enquanto a “Igreja Patriótica” ordenou bispos sem o sinal verde da Santa Sé.

O Vaticano e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951, depois que o papa Pio 12 excomungou dois bispos designados pelo governo chinês, que por sua vez expulsou o núncio apostólico, que estava na ilha de Taiwan.

Para retomar as relações diplomáticas, a China exige que o Vaticano rompa previamente com Taiwan e não interfira nos assuntos internos chineses.

[b]Mortes [/b]

Ainda no início de julho um sacerdote e uma freira chineses foram assassinados em Wuhai, a principal cidade da região chinesa da Mongólia, informou a agência vaticana “Asianews”. A agência informou ainda que os religiosos pertencem à Igreja Católica “clandestina”.

Os mortos seriam o padre Joseph Zhang Shulai, vigário geral da diocese clandestina de Ningxia, e a freira Mary Wei Yanhui, que foram esfaqueados por desconhecidos no asilo de idosos onde prestavam serviços.

Os corpos dos religiosos foram descobertos pelos funcionários do asilo. Conforme os investigadores, o sacerdote recebeu sete punhaladas e resistiu antes de morrer. A freira foi atingida por uma facada no peito.

A irmã Mary Wei Yanhui tinha 32 anos e era a diretora do asilo. O sacerdote tinha 55 anos e havia sido ordenado em 1985. A igreja clandestina de Wuda é dirigida pelo bispo de Ningxia, Joseph Ma Zhongmu. É o único prelado de etnia mongol na China.

[b]Fonte: Folha Online[/b]