O governo do Estado de Alagoas promoveu um encontro inter-religioso na tarde desta segunda-feira, para comemorar o Dia Estadual de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado pela primeira vez em Alagoas.

Presidido pelo secretário-chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, o ato contou com a presença de representantes das religiões católica, espírita, evangélica e de matriz africana.

Na abertura do ato, o secretário Álvaro Machado ressaltou a intenção do Estado de ajudar a combater qualquer tipo de preconceito social, principalmente o religioso. “O fato de o primeiro Dia Estadual de Combate à Intolerância Religiosa ser comemorado na presença de legítimos representantes de várias religiões demonstra o amadurecimento da sociedade na busca pelo fim do preconceito. Façamos desta data um símbolo de respeito à liberdade”.

O secretário comentou ainda sobre a dívida do Estado com as religiões de matriz africana, devido ao histórico Dia do Quebra, lembrado também no dia 2 de fevereiro. “Se as ações do Estado daqui pra frente não redimem o que foi feito por governantes no passado, ao menos repudia o que aconteceu, para que algo semelhante jamais se repita na sociedade alagoana”.

O encontro inter-religioso contou com a presença dos secretários da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Wedna Miranda; da Educação e do Esporte, Márcia Valéria, e do Planejamento e do Orçamento, Sérgio Moreira, além de deputados, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil organizada.

O representante da Federação Espírita de Alagoas, Ricardo Santos, disse que é dever da sociedade respeitar as escolhas de cada um. “Se Deus respeita a livre escolha, quem somos nós para discriminar nosso irmão?”. Ricardo disse também que espera que essa lei seja um diferencial, para que os alagoanos possam viver em paz, sintonizados na família e no amor, podendo lutar em defesa da vida.

Em nome de todos os praticantes de religiões de matriz africana no Estado, a yalorixá Mãe Miriam reivindicou que a sociedade precisa colocar em prática o que já é lei no papel. “Nós esperamos que todos reconheçam que os praticantes das mais diversas religiões têm os mesmos direitos. Se houver quem não goste das religiões de matriz africana, ao menos respeite nossas crenças, já que temos liberdade de crença validada na Constituição Federal”.

O capelão católico da Polícia Militar de Alagoas, padre Epitácio, falou do valor da liberdade religiosa no sentido de preservar a dignidade de cada pessoa. “Proponho empenho pela renovação interior para fazer florescer justiça, caridade social e solicitude de tratar o próximo como semelhante, não como inimigo a ser debelado”. O padre lembrou um trecho da Bíblia para ilustrar o que deseja com as comemorações do dia 2 de fevereiro: “liberdade da glória dos filhos de Deus”.

O também representante da religião católica, padre Manoel Henrique, ressaltou que a educação e a informação são ferramentas importantes no combate à intolerância religiosa. “O crescimento do aprendizado religioso está crescendo em nosso Estado, prova disso é a abertura de cursos que tratam de Ciências da Religião, que vai abrir os horizontes daqueles que serão porta-vozes da igualdade e do bem que todas as religiões pregam. Precisamos ser religiosos sem medo e sem vergonha de fazer parte de qualquer religião que seja”.

O deputado federal Judson Cabral, autor da proposta da lei na Assembléia Legislativa do Estado (ALE), destacou sua satisfação de poder lutar pelos direitos da sociedade na ALE. “Como diz o ditado popular, nossos direitos se limitam onde começa o direito do próximo. O que nós queremos é viver na fraternidade e no respeito, cada um buscando em sua religião o Deus que o conforte”. O deputado ressaltou a participação do Gabinete Civil no processo de aprovação e sanção da lei, para que a data pudesse ser comemorada ainda em 2009.

O pastor Nogueira, capelão evangélico da Polícia Militar, enfatizou o propósito que tem a sanção da lei. “Comemorar este dia 2 tem o propósito de produzir efeito de mudança, para que possamos reconhecer de fato o direito de cada um. Estamos suficientemente supridos de religiões para nos odiarmos tanto, através das palavras de Deus, seja de que religião for, não podemos pensar em intolerância”.

O ato foi encerrado com um canto pela paz, realizado pelos líderes das religiões de matriz africana e, em seguida, por cânticos católicos.

Fonte: 1ª Edição