Várias escolas públicas estaduais da Bahia adotam a disciplina para complementar a carga horária obrigatória dos professores, que é de 14 horas-aula em sala. Cursar a disciplina, porém, não é obrigatório. Às vezes, professores e pais de alunos entrem em conflito por causa da intolerância religiosa.

“Eu sou favor”. É assim que responde Paulo de Jesus, pai de dois estudantes da rede pública de ensino, quando perguntado sobre as aulas de ensino religioso que seus filhos têm no colégio. E complementa: “Ela [a disciplina] ajuda no combate à violência, pois trabalha com valores”.

Poucos pais baianos se dão conta na hora da matrícula, mas é grande a possibilidade de que seus filhos tenham de estudar português, matemática e também ensino religioso. Basta que estejam no ensino fundamental e que a escola pública onde estudam, adote a disciplina como parte da grade curricular diversificada.

Cursar a disciplina, porém, não é obrigatório. “Os alunos são matriculados e quem quiser pode pedir para sair”, explica Sandra Moraes, vice-diretora da Escola Estadual Severino Vieira.

Várias escolas públicas estaduais adotam a disciplina para complementar a carga horária obrigatória dos professores, que é de 14 horas-aula em sala. Professores de história, português e até artes complementam a carga horária com ensino religioso.

O conteúdo das aulas é controlado de perto pelas diretorias de cada colégio. Segundo Valda Reis, secretária do Colégio Estadual Luiz Tarquínio, o plano de aulas deve incluir todas as religiões, focando-as como fenômenos da cultura. Os professores são proibidos de falar de suas experiências religiosas, assim como discutir em sala de aula os valores específicos de cada religião.

Isto não impede que, às vezes, professores e pais de alunos entrem em conflito por causa da intolerância religiosa. Epifânia Neta, professora de história e ensino religioso, já passou por uma situação assim. “Certa vez, um pai de aluno me procurou, reclamando que eu tinha dado aulas de ‘macumba’ para o filho dele. Ele não aceitava aquilo, pois era evangélico. Foi muito difícil convencê-lo do contrário”.

Em Salvador, as escolas municipais não adotam o ensino religioso. “Não faz parte de nossa grade curricular” diz Helena Flora, diretora da Escola Municipal Augusto Lopes Pontes. Segundo Helena, o máximo de religião que as crianças vêem é o candomblé e a umbanda nas aulas de história e cultura afro-brasileira.

Onde entra a religião

Diversos ramos evangélicos e a Igreja Católica questionam a validade do ensino religioso praticado nas escolas públicas. Em sua última visita ao Brasil, o papa Bento XVI chegou a defender a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas.

De acordo com o professor de teologia do Instituto de Teologia da Bahia (ITEBA), William Tavares, a escola pública não pode ser um espaço de “cela de aula” ou “catequese” e sim de liberdade. No entanto, o professor acredita que é positiva a presença do ensino religioso nas escolas públicas, “pois quebra com a idéia de que a religião afasta as pessoas, divide e produz guerra”.

Fonte: A Tarde Online