O ensino religioso, previsto na Constituição e na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) ainda hoje é alvo de polêmica nas escolas de ensino fundamental. É consenso entre professores, diretores e demais profissionais da Educação que ensinar religião é um desafio.

Eles apontam que o assunto é delicado e que envolve uma série de questões sócio-culturais e históricas.

De acordo com Maria do Carmo, secretária escolar a lei prevê o ensino religioso como disciplina em horário normal das escolas públicas de ensino fundamental, porém com matrícula facultativa. ‘Os pais são os responsáveis em decidir a opção do filho em ter ou não aulas de ensino religioso’, diz Maria.

Ela disse que a LDB, em vigor desde 97, mantém claramente a matrícula facultativa e assegura ‘o respeito à diversidade cultural religiosa, vedadas quaisquer formas de proselitismo’.

No início do próximo mês, o Ministério da Educação pretende promover um evento para discutir temas ligados à diversidade e à inclusão educacional.

Religioso x tendencioso

Elielton Vasques Moreira, 15 anos, estudante da 6ª série da escola estadual Afonso Pena, Centro de Três Lagoas, considera a disciplina de ensino religioso saudável. ‘É muito bom estudar religião, faz bem para a mente’, comenta. ‘Já tive ensino religioso na quinta série e gostei muito, mas aqui na Afonso Pena não tem ensino religioso. Eles falam que a maioria dos alunos optou por não ter a disciplina’, completa.

Antônio Crespan, estudante da 7ª série disse que quando aprendeu religião, tinha um professor evangélico e que este ensinava na perspectiva da religião dele. ‘Por um lado era bom, mas por outro havia um certo preconceito e/ou omissão com as demais religiões’.

‘Mas é necessário que o professor de ensino religioso tenha bom senso e respeite a crença de todos’, comenta Crespan.

Uma enquête feita pela reportagem com 16 alunos em uma sétima série do ensino fundamental da escola Afonso Pena, mostrou uma clara divisão de opiniões. Ao todo 8 alunos responderam que são católicos e 8 se denominaram evangélicos.

Para o padre Ângelo Sanches da Catedral do Sagrado Coração, o ensino religioso é um elemento necessário no currículo das escolas ‘ O ensino religioso no Brasil existe desde os tempos da catequização dos nativos. O ser humano não é só racional, ele tem o componente religioso, a fé é um valor insubstituível na formação integral do homem’.
‘A fé tem que ser cultivada, precisamos conhecer mais e aprofundar a nossa fé. O homem por natureza é um ser religioso’, comenta.

O padre ressalta que é preciso respeitar a crença de cada cidadão, e que por isso é importante que haja um profissional competente para discutir religião. ‘Não pode ser qualquer um’.

A lei determina que os professores devem ter licenciatura em história, filosofia ou ciências sociais. Mas professores de outras disciplinas, como Matemática e Geografia também têm ensinado religião.

‘Professores sem o domínio científico podem confundir o aluno. Propagar conceitos errados. Tem que ter gente preparada para isso’, ressalta o padre.

Fonte: MS News