Leonardo Gonçalves considerado um dos maiores e mais respeitados intérpretes da música cristã da atualidade, em entrevista ao The Christian Post comenta sobre sua recente apresentação em uma livraria, seu novo CD Princípio e Fim, a escolha de repertório e composições, seu ministério, entretenimento e o Reino de Deus.

[b]CP: Você fez uma apresentação no formato Pocket Show na livraria Saraiva em São Paulo, você acredita que Deus atuou naquele ambiente diferente?
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Leonardo Gonçalves: Eu acho que Deus pode agir em incríveis maneiras diferentes, muito diferentes do que agente consegue imaginar, a única coisa necessária pra Deus poder agir, são pessoas dispostas a representa- lo e a testemunharem onde quer que estejam.

Eu acredito muito no testemunho pessoal, e que o testemunho maior seja realmente a naturalidade com que algumas coisas são encaradas, que você simplesmente viva sua vida normalmente sem necessariamente levantar uma ou outra bandeira, mesmo que imperceptível e involuntariamente você transmita aquilo que é fruto do seu relacionamento com Deus independentemente de onde seja, seja numa igreja ou em uma livraria, como a livraria Saraiva.

[b]CP: Como você encaixaria o seu trabalho, em entretenimento, mercado ou evangelismo?
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Leonardo Gonçalves: Quanto ao entretenimento, na verdade existem algumas palavras que pro nosso “chavão” evangélico é um pouco tabu e uma delas é a palavra arte e o derivado desta palavra que é artista.

Antes de mais nada, na minha visão de Deus baseado nos meus estudos da palavra de Deus, vejo Deus como um artista, porque a arte necessariamente é bela, necessariamente é profunda e necessariamente é inovadora, eu vejo estas três características no Deus criador, arte tem a ver com criação e a maneira com que Deus cria, Ele sempre cria coisas belas, profundas, significativas, Deus sempre se supera na inovação.

Arte pode entreter, mas nem tudo que é entretenimento é arte, a característica da arte talvez seja levar as pessoas a reflexão, ao questionamento próprio e como consequência disso e no caso ideal há um crescimento.

Eu vejo a arte cristã dessa maneira um fator questionador, um ponto de partida de reflexão e no caso ideal, como historicamente tem sido uma provedora de mudança e crescimento.

[b]Composições[/b]

Eu componho basicamente baseado na necessidade, se vejo que o disco esta precisando de uma letra que equilibre um ou outro ponto teológico, ai eu vou e faço.

[img align=left width=300]http://images.christianpost.com/portugues/middle/2554/leonardo-goncalves.png[/img]Algo que gosto de dizer é que agente tem no mínimo dois tipos de artistas, mas que teoricamente andam juntos, são dois lados diferentes, tem o artista/ filósofo pensador e o artista/ artesão aquele que trabalha com as mãos, eu particularmente levanto a bandeira das duas coisas quando vou escrever uma letra.

Não me arvorando a este título de filósofo ou pensador, mas realmente eu faço bastante leitura teológica e aí sim de pensadores e filósofos que possam enriquecer meu pensamento, tento traduzir estas ideias de forma bem artesanal na maneira de compor letras das músicas, principalmente onde me sinto mais apto, faço de uma maneira bem artesanal trabalhando sonoridade, e significado tudo junto.

[b]Trabalho em equipe
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Eu gosto muito de trabalhar em equipe principalmente no requisito repertório, neste disco tem uma equipe menor, minha esposa fez duas músicas, Felipe Valente fez duas músicas, Thiago Arrais fez duas músicas, e o restante eu fiz com parcerias.

No meu caso eu componho realmente por necessidade, diferente da minha esposa Daniela Araujo que também tem CD gravado, ela compõe compulsivamente, às vezes eu demoro 2 ou 3 anos para terminar uma letra.

Este disco eu fiz um pouco mais rápido por que houve uma necessidade e acabei produzindo o disco em um ano, que para indústria é considerado um absurdo por que normalmente um disco é produzido em 2 ou 3 meses no máximo, mas este foi o disco que eu fiz mais rápido na minha vida, rs..

[b]CP: Seu CD Princípio e Fim segue uma temática, conta uma história. Como foi feito o amadurecimento do tema?
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Leonardo Gonçalves: Esse CD eu fiz de uma maneira diferente, eu me propus a tratar de um tema só e eu fui buscar um repertório já encaixado no assunto, que é sobre o reino de Deus, que achava ser um assunto pertinente para atualidade.

Muitas vezes alguns grupos religiosos acabam focando-se em um ou outro tema sobre o reino de Deus. Os que se focam no reino de Deus aqui trabalham com a questão da assistência social, vivem o amor que seria o Cristianismo vivido na prática. Agora existe outros grupos que acabam se focando no reino de Deus vindouro na nova terra.

Eu acredito baseado na palavra de Deus e baseado em todos outros exemplos da mentalidade judaica em que coisas antagônicas ou aparentemente paradoxais são dois lados de uma mesma moeda. Eu acredito assim com a palavra Deus, se você não explorar um lado, se você se focar apenas em um lado, acaba tendo uma visão incompleta.

Tenho como objetivo, ainda baseado a respeito de arte, de levar os dois grupos a reflexão e que isso possa promover o crescimento, que você possa considerar, estudar, buscar saber a respeito de outras visões pra que tenha uma visão mais holística, mais completa do que é o reino de Deus de fato.

[b]CP: Como separar a adoração a Deus de um entretenimento dentro de um show gospel?
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Leonardo Gonçalves: Quanto a entretenimento x adoração eu acho que agente não deve jamais generalizar, o que talvez para um seja adoração para outro não sirva e o que talvez edifique uma pessoa não edifique a outra.

Ninguém está na posição de julgar intenção de ninguém, a gente pode e deve julgar palavras e atos, descordar é uma coisa muito saudável, muito boa, mas não podemos julgar a intenção da pessoas.

O brasileiro é um povo muito festeiro, não vejo nada de errado em culturalmente na religião também ser festeiro. Claro que é importante sempre colocar Deus em primeiro lugar e manter o foco, e mais importante manter a consciência tanto como artista como povo. Pois mais importante que cantar bem e mais importante que fazer um som bonito é agradar a Deus e isso se faz fazendo a vontade Dele, obedecendo em primeiro lugar.

Que nada e ninguém, seja cantor ou pastor se ache mais importante do que o próprio Deus ou que a própria pessoa de Jesus Cristo.

[b]CP: Sua atual gravadora é uma das líderes no segmento, como tem sido contar com essa estrutura?
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Leonardo Gonçalves: É maravilhoso hoje estar na Sony Music, é maravilhoso que a Sony Music tenha um departamento para o segmento de musica cristã.

Para quem está disfrutando como eu e minha esposa, tem nos dado muitas oportunidades. O Pocket Show na Saraiva com certeza é uma das coisas que poderia citar, eu jamais poderia imaginar uma oportunidade como esta.

Outras coisas também podem ser citadas, o próprio lançamento no itunes, hoje você poder adquirir meu clipe e meus CDs e os da Daniela também, isso é uma coisa muito boa.

O fato de estarmos na Sony nos possibilita um canal na Vevo, vevo é o youtube das gravadoras.

Hoje em dia se fala que a indústria está em crise, cada vez mais se vende menos CDs , mas existem outras maneiras de rendimentos que possam voltar para gravadora e para o artista e sustentarem os trabalhos e ministérios, acho que esse é o caminho para o futuro.

Estar na Sony Music nos dá essa possibilidade e leva o mundo cristão, o nicho para desfrutar dessa possibilidade também.

[b]CP: Alguns comentam que a explosão gospel tornou o público cristão em mais um nicho (segmento) para o mercado comercial, qual sua opinião em relação a isto?
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Leonardo Gonçalves: Primeira coisa, todo rótulo é incompleto. Isso é uma coisa importante entender como seres humanos, não é o rotulo que santifica ou não um trabalho.

Nem todo o trabalho que leva o rótulo de evangélico, talvez seja de fato uma benção, um beneficio para quem for ouvir ou partilhar um trabalho, e vice–versa. Nem tudo que não leva o rótulo de evangélico é diabólico ou do inimigo. Então, os rótulos de maneira geral eles podem ter sua necessidade de existir, mas a gente precisa sempre ter em mente que o rótulo nada mais é que um rotulo ele não vai santificar e nem demonizar nada, rotulo é feito por seres humanos com interesses sejam eles quais forem…

[b]Fonte: The Christian Post[/b]