Em meio à proteção policial, cerca de 60 alunos reingressaram nesta terça-feira na primeira escola bilíngüe árabe de Nova York, a Academia Internacional Khalil Gibran que, segundo seus críticos, pode servir de base para a propagação do radicalismo islâmico.

“Absolutamente, não é uma escola religiosa”, declarou Garth Harris, do Departamento da Educação da cidade.

“As crianças que vêm para essa escola simplesmente estão à procura de uma instituição de excelência, como em dezenas de outras escolas bilíngüe de Nova York que ensinam chinês, francês ou russo”, acrescentou Harris, para dezenas de jornalistas reunidos na frente à grade de um edifício do Brooklyn, que protege várias escolas de ensino secundário.

Na manhã desta terça-feira, entre crianças de diferentes origens étnicas, podiam-se ver algumas meninas que usavam o tradicional lenço islâmico. Fora da instituição, dezenas de policiais impediam que os repórteres ultrapassassem o cordão de isolamente a alguns metros do prédio.

A diretora Danielle Salzberg, nomeada em agosto, recusou-se a falar com os jornalistas. “Ela está com os alunos”, afirmou Harris. O diretor anterior, Debbie Almontaser, que falava árabe, foi obrigado a pedir demissão após ter-se recusado a condenar a venda de camisas com a inscrição “Intifada NYC”.

“Lamentamos a controvérsia que surgiu”, disse Garth Harris em frente a um grande painel onde se podia ler “os nova-iorquinos apóiam a Escola Khalil Gibran”.

Um representante de Brooklyn, o democrata Dov Hikind, afirmou há algumas semanas que “a abertura de uma escola árabe era uma idéia perigosa” e que as crianças podiam ser “doutrinadas”.

A cidade de Nova York possui registradas cerca de 200 escolas que fornecem o ensino bilíngüe.

Fonte: AFP