No dia 7 de março, mais de 200 muçulmanos incendiaram um alojamento da escola teológica Setia. “Era um alojamento provisório para os pedreiros que estavam construindo os novos dormitórios da escola”, comentou a relações-públicas de Setia, Joni Gonto.

O grupo achou que o alojamento era parte dos dormitórios. Antes do incêndio, a multidão havia destruído a bomba d’água e os canos, usando bastões de metal, enxadas e facões.

O incêndio foi apagado e ninguém ficou ferido. Entretanto, o alojamento e a cerca foram reduzidos às cinzas. As autoridades da escola mandaram os pedreiros de volta para casa e a construção foi adiada.

“Relatamos o incêndio à polícia no dia seguinte. O subdelegado nos mandou uma carta no dia 9 de março, afirmando que as pessoas responsáveis pelo incêndio iriam realizar um protesto pacífico no dia 10 de março”, contou Joni.

O protesto

Um grupo maior, de cerca de 300 pessoas, apareceu em frente aos portões da escola na manhã de 10 de março. Eles exigiram que a escola se mudasse para outro lugar, afirmando que ela causava tensão na comunidade. Eles objetaram à construção dos novos dormitórios, afirmando que não havia licença para que fossem construídos.

“Falamos para os alunos permanecerem em seus aposentos”, Joni contou. Atualmente há 1.200 alunos.

Cerca de 400 policiais chegaram para evitar qualquer violência. O grupo se dispersou horas depois. Ninguém ficou ferido.

O diretor da escola não se surpreendeu com o protesto. “Estamos aqui há 17 anos. À medida que crescemos, acrescentamos novos dormitórios para os alunos. E, em cada ocasião, os moradores reclamam, mesmo que tenhamos obtido a licença antes da construção”, ele explicou.

A diretoria em questão é a quinta de Setia. Protestos anteriores não foram tão destrutivos como esse último. “Tínhamos um bom relacionamento com os líderes locais antes. Mas, isso acabou, pois a liderança foi mudando com o tempo”, ele acrescentou.

Negociação com o governo

Em 12 de março, a direção da escola se reuniu com a subprefeitura do leste de Jacarta para tratar do incêndio e do protesto. Os funcionários do governo concordaram em explicar aos líderes locais os méritos legais da construção em questão.

O prefeito pediu desculpas publicamente e demonstrou interesse pelo incidente. Ele salientou que tais atos de violência, como o incêndio, são injustificados, sejam quais forem as razões por trás deles. No momento, o distrito da polícia está investigando o incidente.

Enquanto isso, a escola prepara alternativas. “Se o governo revogar nossa licença de construção, provavelmente pediremos permissão para criarmos mais andares nos prédios existentes”, relatou Joni Gonto.

Fonte: Portas Abertas