Barack Obama escolheu o reverendo Rick Warren, pastor evangélico anti-casamento gay, para a oração da cerimônia da sua tomada de posse. A escolha foi polêmica, especialmente entre ativistas dos direitos gay. Para Obama, a escolha reafirma sua vontade “de unir” os Estados Unidos, congregando diferentes tendências.

Rick Warren é o pastor de uma mega-igreja de Orange County, na Califórnia (que atrai mais de 20 mil pessoas por semana, nota a rede de televisão norte-americana CNN) e a equipe de Obama defende a sua escolha sublinhando que Warren é um dos líderes evangélicos mais empenhados no papel da igreja no combate à sida, pobreza, aquecimento global e até no conflito do Darfur.

Mas como é um crítico vocal do casamento entre homossexuais – apoiou o referendo de 4 de novembro que retirou o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia – e também do direito ao aborto, a escolha foi recebida com muitas críticas por parte de sectores mais liberais.

Em Chicago, Obama afirmou aos jornalistas que a América tem de se unir mesmo quando há desacordos nas questões sociais. “Esse diálogo é parte da essência da minha campanha”, disse Obama, garantindo ser “um forte advogado da igualdade” para homossexuais.

“Sentimos um grande nível de desrespeito quando um dos promotores de uma agenda anti-gay recebe a proeminência do púlpito desta histórica tomada de posse”, escreveu, numa carta a Obama, o presidente da maior organização de direitos gay, a Human Rights Campaign, Joe Solomonese, citado pelo site Politico.com.

Warren é considerado um elemento da nova geração de cristãos evangélicos e, conta o “New York Times”, deixou mesmo irritados alguns dos evangélicos mais velhos e mais conotados com o Partido Republicano por ter convidado Barack Obama para falar sobre aids na sua igreja. Warren foi ainda o anfitrião de um fórum sobre questões religiosas, durante a campanha, em que juntou Obama e John McCain.

De resto, a cerimônia da tomada de posse de Obama, no dia 20 de Janeiro, em Washington, contará com a cantora soul Aretha Franklin (normalmente a voz é de uma solista de ópera). Um quarteto incluindo o violinista Itzhak Perlman e o violoncelista Yo-Yo Ma tocará depois uma peça de John Williams (compositor de bandas sonoras de filmes como “ET” e “A Lista de Schindler”).

Gesto de diálogo

O presidente eleito Barack Obama defendeu nesta quinta-feira a decisão de escolher um conhecido pastor evangélico conservador para pronunciar uma oração durante a solenidade de posse, no dia 20 de janeiro, reafirmando sua vontade “de unir” os Estados Unidos, congregando diferentes tendências.

O pastor Rick Warren é um orador popular que atrai semanalmente 20.000 pessoas a seus sermões na gigante Saddleback Church em Lake Forest (Califórnia, oeste).

Apresentado como o novo Billy Graham, o pastor é autor de um livro de sucesso que prodigaliza conselhos espirituais “The Purpose Driven Life”; afirma que “o casamento gay é equivalente moralmente a um matrimônio entre irmãos” e condena o aborto ao qual chama de “holocausto”.

Segundo Obama “não é segredo para ninguém que apóio fervorosamente a igualdade dos direitos dos homossexuais” – respondendo, dessa forma, as críticas à presença do reverendo Warren no ato de posse.

O presidente eleito também assegurou que durante a cerimônia “estará representada uma grande variedade de opiniões”.

Influência

Um dos mais influentes religiosos do país, Warren promoveu temas como a redução da pobreza no mundo, o fim dos abusos aos direitos humanos e o combate à epidemia de Aids. Mas o pastor também aderiu a posições conservadoras, entre elas a oposição ao casamento gay e ao direito ao aborto, o que o coloca em oposição a muitos no Partido Democrata de Obama.

O pastor apoiou, por exemplo, a proposta aprovada em referendo na Califórnia que proibiu o casamento entre homossexuais. Após reações de protesto, a porta-voz de Obama Linda Douglass defendeu a escolha de Warren, dizendo que “essa será a cerimônia mais inclusiva, aberta e acessível na História americana”, segundo o site da rede de TV americana CNN.

Fonte: Publico/Portugal e AFP