A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) criticou a “destruição dos embriões excedentes” no processo de fecundação realizado para o nascimento, na Espanha, do primeiro bebê selecionado geneticamente para curar o irmão de uma grave doença hereditária.

Em um comunicado divulgado hoje, os bispos espanhóis criticam a ênfase dada à “feliz notícia do nascimento de um bebê para a possibilidade de cura da doença do irmão”.

Porém, a notícia, segundo a CEE, “silenciou o fato dramático da eliminação de embriões doentes e eventualmente daqueles que, mesmo sadios, não eram compatíveis geneticamente”.

O pequeno Javier nasceu no último domingo, em Sevilha, a partir de uma pré-seleção embrionária, que foi possível graças à lei aprovada há dois anos pelo governo de José Luis Rodríguez Zapatero, que consente o isolamento de embriões portadores de doenças hereditárias.

Andrés, o irmão de seis anos de Javier, tem beta talassemia maior, um tipo grave de anemia congênita, que poderá ser curada graças ao transplante de células medulares de Javier.

No documento da CEE, os bispos ressaltam as “implicações morais” dessa técnica, aprovada na Espanha por grande parte da comunidade científica.

A Conferência explicou que a pré-seleção genética de embriões, realizada por meio da fecundação artificial, comporta a injeção no útero materno dos embriões que apresentam um perfil de compatibilidade genética mais elevado com o do irmão doente.

“Os outros são destruídos ou congelados”, afirmam os bispos.

Fonte: JB Online