O Banco da Espanha assumiu o controle no fim de semana do banco de poupança CajaSur, controlado pela igreja católica romana, segunda instituição espanhola a entrar em colapso financeiro desde o início da crise global há mais de dois anos.

O banco, sediado em Córdoba, no sul do país, tem 13 bilhões de euros (US$ 16,35 bilhões) em empréstimos e detém 0,6% do total de ativos do sistema financeiro espanhol. O banco central disse em nota que o colapso do CajaSur não afetará o sistema bancário espanhol como um todo.

Embora o mercado reconheça a baixa participação do banco no sistema financeiro da Espanha, a notícia prejudica o sentimento dos investidores na Europa, pesando sobre as cotações dos bancos e ajudando a empurrar o euro para baixo.

“O Banco da Espanha, que em nossa opinião é um forte regulador, está agindo com sensibilidade. Mesmo que o BoS quisesse forçar as instituições a reconhecer todas as potenciais perdas, eles não podem fazê-lo porque algumas delas estão tão pesadamente expostas a ativos de risco que poderiam ficar em sérias dificuldades”, disse o analista do Credit Suisse, Santiago Lopez Diaz. Entretanto, “a intervenção pode trazer preocupações para o sistema financeiro, para o desempenho do risco soberano e para a economia de modo geral – embora a estabilidade do sistema, é bom frisar, não esteja em risco”, diz o analista.

Já os analistas da instituição canadense RBS ponderam que o CajaSur estava bastante exposto ao mercado imobiliário local e um grande número de bancos de poupança não listados em bolsa podem ter exposição similar.

O sistema financeiro espanhol tem 45 bancos de poupança, que respondem por cerca da metade das operações bancárias do país. O banco central está pressionando para que essas instituições se reestruturem por meio de fusões, o que elas resistem em fazer.

Muitos dos bancos de poupança cresceram rápido demais durante os dez anos de boom do mercado imobiliário, emprestando pesadamente para as empresas de construção. Com o estouro da bolha imobiliária e a economia em recessão, tais bancos de poupança viram o volume de empréstimos problemáticos crescer com velocidade sem precedente.

A consolidação e a limpeza dos bancos de poupança estão entre os maiores desafios atuais da Espanha, além da taxa de 20% de desemprego e do amplo déficit do orçamento do governo.

O CajaSur foi um caso especial, disse um porta-voz da Confederação Espanhola de Casas de Empréstimo ou CECA, associação espanhola dos bancos de poupança. Ele não acredita em outras intervenções e disse que o restante do setor está saudável.

Uma porta-voz da Associação Espanhola de Bancos, grupo de representa os bancos listados em bolsa, disse estar confiante de que o banco central conseguirá administrar a situação no CajaSur, assim como conduzir a reestruturação do sistema financeiro. Mas veladamente sabe-se que os executivos de bancos estão frustrados com o banco central no que diz respeito sobre como está lidando com a crise. Esses executivos dizem que o banco central demorou para intervir no Castilla-La Mancha, em março do ano passado, e que fez o mesmo com o CajaSur.

O CajaSur, fundado pela igreja católica romana em 1864, era considerado o mais frágil entre os bancos de poupança. No ano passado, registrou um prejuízo líquido de 596 milhões de euros e prejuízo de 114 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano. Funcionários do Banco da Espanha estimaram que o CajaSur precisaria de uma injeção de capital de pelo menos 500 milhões de euros para recuperar sua solvência.

O Banco da Espanha informou, por meio de nota, que a administração do CajaSur foi demitida e que o banco será provisoriamente administrado por três administradores do fundo estatal para resgate bancário da Espanha. O fundo irá capitalizar o CajaSur e dar ao banco a liquidez necessária para continuar operando. O BC também determinará se irá ou não leiloar a instituição, vender alguns ativos ou liquidá-la.

Fonte: Estadão