Em uma sociedade na qual o sexo é o maior tabu, a doutora Heba Kotb oferece conselhos sexuais a todo o mundo árabe através de seu programa de televisão, sua consulta médica e seu consultório on-line, mas se baseia na religião islâmica.

Esta sexóloga egípcia estabelece o que é “haram” -pecado- e o que é “halal” -permitido- em todas as práticas sexuais, legítimas só a partir do casamento segundo a tradição islâmica.

O sexo oral é “aceitável” do ponto de vista do Islã, tanto para o homem quanto para a mulher, enquanto o sexo anal é “absolutamente haram”, assim como a homossexualidade, explicou à Agência Efe a doutora Kotb, de 41 anos.

A masturbação não é “haram”, mas com limites, especificou Kotb, já que esta não pode substituir as relações sexuais do casal, da mesma forma que não podem fazê-lo ao ver filmes pornográficos, os quais a sexóloga desaconselha energicamente.

Estas e muitas outras diretrizes são dadas por Kotb em seu programa “The Big Talk” (“A Grande Conversa”, em tradução livre) – emitido pela cadeia de televisão por satélite “Al Mehwar”-, que, desde 2006, reúne perante o televisor milhões de pessoas no mundo árabe todos os sábados à noite.

Os telespectadores tiram suas dúvidas e falam de seus problemas enquanto a especialista em sexologia e Islã os resolve se inspirando no livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, e os fatos e discursos do profeta Maomé, os “hadices”.

É o Corão que explica que a satisfação sexual da mulher é fundamental e deve ser uma prioridade no casamento, assegurou Kotb.

E acrescentou que “o homem não pode deixar passar tempo demais sem ter relações sexuais com sua mulher”, porque a quantidade também é muito importante para o Islã, assim como a qualidade.

Os jogos sexuais preliminares também têm um lugar de destaque na sexualidade islâmica, já que as relações devem incluir carinho e afeto, apontou Kotb.

Esta é a receita para que um casamento funcione e que é abordada pela sexóloga na temporada 2008 de “The Big Talk”, na qual ajuda casais tanto sobre sua vida íntima quanto sobre os problemas cotidianos, com boas doses de religião e educação sexual conservadora.

Além disso, Heba Kotb apresenta soluções e conselhos em sua consulta médica do Cairo, para a qual há lista de espera para fazer terapia de casal, e em seu consultório on-line.

A especialista também ministra cursos de educação sexual para futuros casais e adolescentes, nos quais ensina como conviver com sua sexualidade até o momento do casamento e lhes ensina a estarem preparados para as futuras relações.

Kotb considera que preservar a virgindade até o casamento garante a felicidade do casal e atende centenas de consultas sobre o que fazer e como se preparar para a noite do matrimônio. O principal conselho que dá aos principiantes é não comer demais antes da “grande noite” e tentar manter a calma.

A partir de sua experiência, acredita que todas as pessoas compartilham os mesmos problemas e as mesmas preocupações relativas ao sexo, em qualquer parte do mundo.

As perguntas mais freqüentes feitas pelos homens e pelas mulheres do Oriente Médio e dos países do Golfo se referem à ejaculação precoce, disfunção erétil e orgasmo feminino, todos eles dilemas sexuais universais.

No entanto, nas sociedades árabes e muçulmanas tudo o que está relacionado à sexualidade representa um problema mais profundo pela falta de informação e formação, segundo Kotb, que considera que existe um “grande vazio” neste sentido, que é necessário preencher.

Isso é precisamente o que pretende esta sexóloga, para que todas as pessoas possam desfrutar do sexo, que é chamado por ela de “um presente de Deus”.

E esta missão, às vezes messiânica, outras vezes de grande utilidade, é o que fez com que Heba Kotb ganhasse o apoio de boa parte do público árabe, mas também as críticas dos mais conservadores.

Até hoje, ela é a única pessoa que se atreveu a falar de sexo alto e claro no mundo árabe, apesar de que seus conselhos poderiam parecer puritanos e retrógrados em outras partes do mundo.

Fonte: Paraíba Online