Nove em 10 americanos acreditam em Deus, mas se dividem em quatro grupos que o definem como um ser “autoritário”, “condescendente”, “crítico” ou “distante”: uma classificação que também revelaria suas opiniões políticas, segundo um estudo universitário.

O Instituto de Estudo das Religiões da Universidade Baylor de Waco (Texas, sul) publicou esta semana os resultados de uma ampla consulta feita no ano passado, na qual 1.721 americanos responderam a 400 perguntas sobre “a piedade americana do século XXI”. Apenas 10,8% dos americanos disseram não professar nenhuma religião.

Quase três em cada quatro americanos (71,5%) rezam pelo menos uma vez por semana e a metade (49,2%) vai à Igreja uma vez por semana. Mais de um em cada quatro leu “O Código Da Vinci”, romance de Dan Brown, e pouco menos da metade (44,3%) assistiu ao filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson. O mundo paranormal não os assusta: 41,2% acreditam na existência de outras civilizações e 37,2%, em casas mal-assombradas.

A religião protestante evangélica – que inclui os anabatistas, os menonitas e os pentecostais – é a mais ampla (33,6%, o equivalente a 100 milhões de fiéis). Os protestantes “clássicos” representam 22,1%, seguidos dos católicos, com 21,2%. A Igreja negra protestante reúne 5%, os judeus, 2,9% e o restante das religiões, entre elas a muçulmana, representam 4,9% dos americanos.

Além destas afiliações clássicas, os fiéis se dividem em quatro grupos segundo sua visão de Deus, afirmam os pesquisadores. “Queríamos fazer o que muitas pesquisas não fazem (…). Queríamos saber para quem rezam, sobre o que e por que. Queríamos saber o que pensam sobre a personalidade de Deus e sua atitude em relação ao mundo”, explicou Byron Johnson, professor de sociologia.

Para 31,4% dos americanos, existe um Deus “autoritário”, capaz de punir e muito comprometido com o que ocorre no mundo.

A grande maioria destes fiéis (63,1%) pensava em 2005 que a guerra no Iraque era justificada e um terço dizia estar certo de que Deus está, no geral, ao lado dos Estados Unidos (32,1%). São os que têm menos tendência a pensar que se deve abolir a pena de morte (12,1%), contra 27,3% daqueles que acreditam em um Deus “distante”. Enquanto o casamento entre homossexuais é “sempre mau” para 57% dos americanos, segundo a consulta, 80% dos que acreditam em um Deus autoritário manifestam esta opinião.

Há também um Deus “condescendente” para 23% dos fiéis, um Deus mais indulgente que é, de qualquer forma, muito ativo no mundo. Os 81,2% deste grupo, contra 76% no caso dos que acreditam no Deus “autoritário”, desejam mais ações em defesa do meio ambiente.

Os que acreditam em um Deus “crítico” (16%) o vêem como alguém que julga mas que se mantém como observador. São mais tolerantes frente ao aborto: só 7% deles, contra 24,7% no caso dos que crêem no Deus “autoritário”, o proibiria.

Finalmente, os que acreditam em um Deus “distante” são os mais abertos ao casamento homossexual (apenas 30,7% são contra). A minoria deles (29%) acredita que a guerra no Iraque foi justificada e 9,3% confiam no presidente George W. Bush.

“Este é um instrumento vital para compreender as correntes intrínsecas nos Estados Unidos”, resumiu o professor Paul Froese. Segundo o estudo, apenas 5,2% dos americanos são ateus.

Fonte: AFP