A Aliança Evangélica do Panamá (AEP) e o deputado Vladimir Herrera questionaram o governo panamenho, que quer aprovar projeto de lei que introduz uma espécie de regime clerical nas forças públicas, dentro de acordo entre o Panamá e a Santa Sé.

Ruiz acusou aqueles que estão por trás do projeto de querer dar comando e jurisdição à cúria católica, já que pedem classe de capitão, coronel e outras patentes com salário. “Saímos de um enclave colonial para entrar num enclave religioso”, protestou Manuel Ruiz, da AEP.

O secretário da AEP, Rupert Neblett, sustentou que a medida é inconstitucional, pois outorga foros e privilégios à Igreja Católica em prejuízo das outras confissões, afetando a família panamenha em sua liberdade de culto. Além disso, permite a intromissão de outro Estado (Vaticano) nos assuntos internos do Panamá, sem considerar os custos que significará para a nação o sustento do pessoal e escritório.

O deputado Herrera disse que dirigentes da Aliança reuniram-se com o chanceler Samuel Lewis Navarro e seu assessor Adolfo Ahumada, que prometeram que o acordo não avançaria sem consulta. No entanto, ficaram surpresos, agora, que a Assembléia tentou aprová-lo há pouco tempo.

Para o sacerdote católico Javier Umaña, do templo Nossa Senhora de Fátima, em El Chorrillo, os evangélicos estão adotando uma postura extremada, já que no Panamá não há exército. Umaña argumentou que se o projeto inclui o sustento do pessoal, este se dará pela pastoral que será prestado à polícia e a outros órgãos de segurança. Não deve ser visto como um privilégio, mas como uma consideração por ser a católica a religião majoritária, como a reconhece a Constituição.

O ex-presidente da República, Guillermo Endara, opinou que nomear na Polícia um servidor público com qualidade de bispo, que corresponde a um vicariato castrense, consiste em regressar ao militarismo. “Não queremos voltar ao militarismo”, assinalou.

Fonte: ALC