Pastor Philemon de MedeirosSorocaba (SP) – Como instituição, a igreja tem que se posicionar e não pode cruzar os braços diante da “Máfia das Sanguessugas”. A avaliação sintetiza a opinião de lideranças evangélicas locais e estaduais sobre o escândalo mais recente do governo Lula envolvendo a compra superfaturada de ambulâncias, com a intermediação de deputados e funcionários públicos.

Para o presidente do Conselho Estadual da Igreja do Evangelho Quadrangular em São Paulo, pastor Ernesto Taconi, a participação de parlamentares evangélicos no escândalo traz instabilidade para a igreja, por isso ela tem de se posicionar internamente.

Taconi, que é de Sorocaba e representa um colegiado de aproximadamente 2 mil pastores, afirmou que a questão deve ser tratada com cautela e em paralelo com a CPI do Congresso, para não cometer injustiças.

O presidente do Conselho de Pastores de Sorocaba, Philemon de Medeiros (foto), acha o caso decepcionante e defende o afastamento dos envolvidos pela igreja. O conselho reúne 23 denominações evangélicas. “Apesar de ser um assunto político, um julgamento paralelo é salutar”.

Reforça a opinião o pastor Luís Alberto Firmino, da Assembléia de Deus e secretário municipal de Relações do Trabalho. “Embora Sorocaba não tenha nenhuma ligação, o fato é lamentável”.

Avaliação na Quadrangular

O pastor Ernesto Taconi confirmou que a Igreja do Evangelho Quadrangular no Estado estabeleceu um processo paralelo para apurar a participação do deputado federal e pastor Jéfferson Campos (PTB), citado inicialmente no escândalo das sanguessugas, mas inocentado durante a CPI do Congresso que apura os desdobramentos do esquema.

A igreja precisou reafirmar o apoio à sua candidatura em um encontro que contou com 5 mil líderes no mês passado, no Centro de Convenções da Quadrangular, em Sumaré. “A partir do momento em que foi inocentado pela CPI, a igreja voltou a se posicionar favoravelmente ao Jéfferson”.

No topo da máfia

* A bancada evangélica é a que tem mais deputados na lista dos suspeitos de envolvimento com a máfia das ambulâncias, divulgada pela CPI das Sanguessugas

* Dos 19 citados na CPI 10 parlamentares estão ligados à Igreja Universal do Reino de Deus e 5 deputados com a Igreja Assembléia de Deus

* Dos 57 da lista, a maior parte é do PP e do PTB, com 13 cada. O PL vem logo atrás, com 10 deputados acusados. O PMDB tem 5, o PSB e PFL têm 4 cada; o PSDB, 3; o PSC e PRB têm dois cada e o PPS, 1

* O Rio de Janeiro lidera o número de envolvidos, com 13 deputados; São Paulo tem 10; Mato Grosso é o terceiro, com 5

Fonte: Bom Dia Sorocaba