Lideranças religiosas entregaram documento ao presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil), Fábio Trad, requerendo que a entidade se posicione contra a legalização do aborto no Brasil.

O requerimento possui as assinaturas do presidente da Aliança Evangélica Brasileira em Mato Grosso do Sul, Edílson Vicente da Silva; do arcebispo da Arquidiocese de Campo Grande, dom Vitório Pavanello; do presidente do Grupo Evangélico de Ação Política, pastor Carlos Osmar Trapp; e do presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política, bispo Sérgio Harfouche.

Para Dom Vitório, “uma vez concebida a criança, a gestante passa a ser quem custodia uma vida, não a dona dessa vida”. “Essa liberação vai aumentar em muito a promiscuidade entre os jovens”, acredita o presidente da aliança evangélica, Edílson Vicente da Silva, que também condenou a distribuição indiscriminada de preservativos e pílulas do dia seguinte.

Segundo Fábio Trad, o documento será encaminhado para um relator do Conselho Seccional, a quem caberá elaborar relatório e voto para apreciação pelo colegiado. O presidente da OAB-MS esclareceu, ainda, que a entidade toma a sua decisão de forma colegiada e por isso o requerimento dos religiosos deverá ser encaminhado ao Conselho Seccional já em sua próxima reunião, no final de junho.

Brasil realiza 1 milhão de abortos inseguros por ano

As mulheres pobres, jovens e nordestinas são mais vulneráveis aos abortos inseguros no Brasil, onde no ano passado a média diária foi de 686 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de complicações pós-aborto. É o que mostra o relatório “Morte e Negação: Abortamento Inseguro e Pobreza”, divulgado hoje (30) pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, na siga em inglês), entidade que atua em 150 países.

De acordo com a federação, o Brasil é responsável por 1 milhão de interrupções de gravidez de forma insegura a cada ano. O estudo revela que a média brasileira no ano passado foi de 2,07 abortos induzidos por grupo de 100 mulheres. O problema é mais grave na Região Nordeste, onde a taxa é de 2,73, maior que a média nacional. A Região Sul foi a que apresentou a menor taxa, de 1,28 por 100 mulheres. O relatório aponta o Nordeste como uma das regiões de menor poder econômico, onde as mulheres têm menos acesso aos serviços de saúde e que concentra as maiores taxas de analfabetismo, de 18%.

A diretora da IPPF, Carmem Barroso, disse que o número elevado de abortos no Brasil é sobretudo um problema socioeconômico. “O Nordeste é a região mais pobre do Brasil, onde as mulheres têm menos acesso à informação, menos acesso aos meios de evitar uma gravidez e que portanto se vêem desesperadas com a gravidez indesejada e recorrem ao aborto em maior número”, afirmou a diretora, em entrevista coletiva para apresentação do relatório.

Segundo ela, outro fator de preocupação é que as mulheres brasileiras engravidam cada vez mais cedo, o que aumenta o número de abortos entre as meninas e as adolescentes. De acordo com o estudo, em 2005 foram registrados 2.781 atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) de meninas de 10 a 14 anos para tratamento de complicações pós-aborto. Entre as mulheres de 15 a 19 anos, foram 46.504 atendimentos.

A Federação Internacional de Planejamento Familiar calculou a ocorrência de um caso de aborto em cada grupo de 138 adolescentes na região Norte, contra um aborto em 318 adolescentes na região Sul. “As meninas de 10 a 14 anos são as que têm menos informações e menos recursos para evitar uma gravidez e menos recursos para se submeter a um aborto mais seguro”, afirmou a diretora da IPPF, acrescentado que o aborto é um problema coletivo e não individual.

Fonte: Campo Grande News