Mais de 100 pessoas compareceram ao culto religioso na noite desta quarta-feira (26) para defender a permanência do totem com mensagem religiosa instalado no acesso à Rodovia José Ermírio de Moraes, conhecida como “Castelinho” (SP-75), em Sorocaba (SP).

De acordo com um dos organizadores, Frederico Salomão, o objetivo do encontro, que durou cerca de uma hora e meia, era contar a história do monumento e o que poderá se feito nos próximos dias após a determinação da retirada, feita pelo juiz José Eduardo Marcondes Machado na terça-feira (25).

[img align=left width=300]http://s2.glbimg.com/s2DADgOe04_6nWuTDR6NYlUf5dg=/620×465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2014/03/26/protesto_placa3.jpg[/img]Na concentração, jovens de diversas congregações pintaram faixas de louvor ao Senhor e em apoio ao monumento que, segundo eles, simboliza a fé do povo sorocabano em Jesus Cristo. “Não viemos aqui pela placa, e sim para defender a nossa fé, a nossa ideologia. O que não queremos é que a marca da nossa crença seja apagada da cidade”, ressaltou Steffanie Mayara, de 16 anos, que segurava a faixa “#Eu amo a bíblia” ao lado de Ysa Pereira, de 15 anos.

Para os organizadores do evento, que contou com a presença de diversas congregações cristãs, a justificativa usada para a retirada da placa não é válida. “Queremos mostrar que não estamos idolatrando uma placa e sim que queremos ‘protestar’ pela fé, pelo o que acreditamos. Temos medo depois de sermos reprimidos por fazer um culto em locais públicos, por exemplo, e as pessoas se sentirem ofendidas por isso, como na determinação do juíz”, ressalta Frederico Salomão.

Os organizadores ressaltaram ainda que o evento era voltado para a família. A secretária Elizangela Rabelo driblou o frio e tentou fazer com o filho, de apenas dois anos, vencesse o sono para acompanhar a vigília. “Acho importante a participação da família na manifestação da fé, independentemente do horário e se vamos sair daqui com a vitória”, ressaltou.

Durante o período que esteve em frente ao totem, com faixas que mesclavam a linguagem jovem com dizeres evangélicos, o grupo cantou músicas de louvor. Os “manifestantes” atraíram olhares curiosos de motoristas que passavam pela rodovia. “Nosso objetivo aqui foi rezar por Sorocaba em comunhão com os irmãos cristãos. Além disso, queremos mostrar para o poder público aqui ou em outros eventos que vamos promover ainda nessa semana que essa discussão é uma perda de tempo e que a nossa cidade precisa de atenção em outros setores”, afirma o pastor Jhonyz Rabelo.

Segundo um dos líderes da vigília, o objetivo do encontro foi reunir pessoas que tem amor pela cidade. “É importante ressaltar que a placa diz: Sorocaba é do Senhor Jesus Cristo. Isso não quer dizer que a cidade pertence ao Senhor e sim que o Senhor atua por Sorocaba, ou seja, está presente na vida dos moradores. Queremos mostrar que o sorocabano é um povo abençoado e que a cidade tem recebido coisas boas”, comenta Frederico. Além desta quarta-feira, a ideia é promover novos encontros para discutir sobre o tema.

[b]Polêmica na cidade
[/b]
A decisão da Justiça repercutiu negativamente entre os cristãos. Para muita gente, retirar a placa, que há oito anos está instalada na principal entrada da cidade, é uma determinação desnecessária. O pedido para que a prefeitura retire a placa com os dizeres “Sorocaba é do Senhor Jesus Cristo” foi feito no ano passado por dois estudantes de direito.

[img align=left width=300]http://s2.glbimg.com/glvpYRL9XLYJOToyBLEpzY2EDiA=/300×225/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/07/26/totem_1.jpg[/img]A partir disso, o promotor José Alberto Marum começou a pedir informações ao município e segundo ele, até agora, ninguém sabe dizer quem autorizou a instalação do totem. Com base na constituição, o promotor moveu uma ação e a Justiça aceitou o pedido. “Nós pedimos a retirada da placa por dois motivos específicos. O primeiro porque não houve autorização formal para a sua colocação no espaço público e, em segundo lugar, por causa da mensagem da placa, que diz que Sorocaba pertence a alguém, e isso não pode ser permitido”, explica.

A prefeitura tem dez dias para retirar a placa e se não fizer isso tem de pagar uma multa de R$ 1 mil por dia. Na decisão, a Justiça também proíbe a instalação de novas placas – independentemente da religião -, em qualquer espaço público da cidade. A Secretaria de Governo e Segurança Comunitária informa que por se tratar de uma sentença em primeira instância estuda a possibilidade de recorrer da decisão.

[img align=left width=300]http://s2.glbimg.com/OkFLbAzwphlZnBynohZ52-7laEU=/620×465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2014/03/26/protesto_placa2.jpg[/img]O presidente do Conselho de Pastores de Sorocaba, Eduardo Bortolossi, comentou a decisão da Justiça. “O marco quando foi colocado na cidade representou a fé da maioria. Nós entendemos que o marco não é da igreja evangélica, tanto que naquele dia tinha representantes da igreja católica e evangélica representando os cristãos da cidade. A nossa ideia é que o monumento seja mantido”, conta.

A mesma opinião tem o padre Tadeu Rocha Moraes, pároco da Catedral Metropolitana. Ao saber da decisão da Justiça, ele lamentou. Para o padre, os dizeres da placa não desrespeitam nenhuma religião. “Eu acho que é uma presença muito significativa na vida de todos nós. E uma outra coisa, quanto tempo se perde com uma coisa tão sem importância, enquanto há pessoas morrendo de fome, que não têm assistência nos postos de saúde, sem escola. Autoridades e cidadãos se desgastando com bobagens, com algo tão insignificante”, opina o padre.

[b]Fonte: G1[/b]