A Convenção de Ministros das Assembléias de Deus Unidas do Estado do Ceará (Comaduec) está distribuindo em pontos de grande movimentação em Fortaleza, uma “carta de orientação política”, destinada a “evangélicos e simpatizantes”, sobre as eleições 2006.

O documento tem como assinante o pastor Antônio da Silva Dutra e pelo missionário Elias da Silva da Nazaré. Após fazer uma análise de relacionamento entre a religião e a política, a carta (uma cartilha com quatro páginas) cita os nomes e os números da candidata a deputada federal Gorete Pereira (PL) e dos candidatos a deputado estadual Francisco Caminha (PHS), a senador Moroni Torgan (PFL) e a governador do Estado Lúcio Alcântara (PSDB). Não há indicação de candidato à presidência da República.

Não é a primeira vez que a Comaduec torna pública sua opção sobre eleições no Ceará. No pleito municipal de 2004, a entidade declarou apoio à então candidata do PT à prefeitura de Fortaleza, Luizianne Lins (PT). Na ocasião a petista enfrentava, em segundo turno, o hoje apoiado pela entidade Moroni Torgan. Em relação à disputa pela presidência da República, a Comanduec não cita o nome ou número de nenhum dos candidatos, deixando apenas o espaço em branco. Mesmo com a ressalva de que “achou conveniente transcrever nomes de candidato para o pleito de 2006, no Ceará, para você tirar conclusões”, o texto recomenda que o eleitor “vote” nos citados candidatos.

A “carta de orientação política da Comaduec para evangélicos e simpatizantes” é aberta com a justificativa da entidade para a iniciativa de “intervir na promoção do intercâmbio de idéias, de princípios éticos e estratégias de ação no tocante à conscientização política”. Para a entidade, o voto exprime um potencial para o avanço na obtenção do direito que o povo tem de reivindicar uma governabilidade que supra seus interesses. “Devemos considerar que o povo evangélico é uma expressão gigantesca também no sentido numérico, que pode, sim, mudar o curso da ideologia política que experimentamos hoje”, ressalta.

Ao conclamar o segmento a “eleger pessoas cujas características apontam para quem sabe o que é temer a Deus”, a Comanduec também dirige-se especificamente aos “membros e congregados”. Ela destaca a quantidade e a diversidade dos que integram a comunidade evangélica em todo o País, mas afirma que esta representação não corresponde em igual peso à influência na vida nacional. “Uma das prerrogativas da Democracia é conceder ao cidadão o direito da livre escolha de seus governantes. O cristão deve se apropriar desse direito com mais determinação porque ele tem consciência de sua responsabilidade”, pondera.

Feitas as considerações, a entidade assegura que tem se empenhado em sugerir aos líderes pastores o engajamento no projeto de conscientização política do País. “Agora, (a Comanduec) vem diretamente a você, querido membro da Igreja, temendo as possíveis contradições que podem surgir na prática, em tempo de urnas”, conclama a carta. Para a entidade, que defini-se como uma ordem de pastores comprometida com o universo político do Brasil, é preciso que seja incentivado o senso crítico com o fim de evitar “precipitações em nome da boa fé”.

Fonte: Diário do Nordeste