Setores evangélicos da Bolívia opuseram-se “energicamente” à lei de direitos sexuais proposta para ser incorporada à nova Constituição política do país, argumentando que ela iria contra “a família, a infância e a liberdade de expressão”.

Em declaração tornada pública na terça-feira, 27 de junho, a Associação Nacional de Evangélicos da Bolívia (ANDEB) também pronunciou-se contrária a “toda invasão forânea que queira se impor a todos, ideologias, formas de pensamento e de vida”, pois entendem que isso violenta a vontade pessoal e a soberania do país.

O documento, assinado por Bruno Ossio, pelo presidente da ANDEB, que representa igrejas, organizações educativas cristãs e pastores, demanda que sejam incluídos na Constituição os princípios de justiça, liberdade de culto, da vida, da educação e a liberdade de pensamento e expressão.

“Ratificamos publicamente nossa confiança em Deus, dando testemunho a todos os governantes e ao povo que nosso Senhor Jesus Cristo nos preservou da destruição há muitos anos e o seguirá fazendo por amor de seu povo sempre e enquanto respeitarmos seus preceitos e a fé de seu povo”, disse a ANDEB.

A ANDEB opõe-se a uma educação que não leve em conta a vontade dos pais e seu apoio à vida e rechaça “toda forma de promoção e prática do aborto”. O organismo evangélico propõe um Estado não confessional, “mas não anti-religioso”, que garanta a igualdade jurídica para as igrejas e com plena liberdade para a sua organização, prática de culto, escolha e expressão da fé e o seu ensinamento.

“Demandamos liberdade para ensinar e formar nossa gente e nossos líderes em princípios e valores provenientes da nossa fé; liberdade de evangelização, apresentando as boas novas de Jesus Cristo; e liberdade para receber missionários da comunidade internacional que compartilham nossa fé e nosso trabalho na Bolívia”, disse o comunicado.

As eleições para a Assembléia Constituinte foram realizadas no país neste domingo. O Movimento ao Socialismo (MAS), partido do governo, recebeu mais de 50% dos votos, enquanto a Concertación Nacional, com forte apoio evangélico, conseguiu oito lugares na Assembléia Constituinte.

Fonte: ALC