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Ex-Vice Miss Bumbum, ex-A Fazenda, ex-Cristiano Ronaldo, ex-dançarina e ex-stripper. É extenso o currículo de Andressa Urach no mundo das celebridades e o preço da fama é justamente a tônica de seu livro biográfico, intitulado “Morri para Viver”. Lançada no último mês, a obra narra os percalços de Andressa em busca do estrelato e do dinheiro fácil, até a transformação radical vivida por ela após uma experiência de “quase morte”, devido a complicações de uma cirurgia que havia feito para retirar o implante de hidrogel das coxas.

A apresentadora desembarcou em Goiânia nesta terça-feira (15/9) para divulgar a biografia e também para ministrar uma palestra motivacional, na próxima quarta-feira (16), no templo da Igreja Universal, localizado na Avenida Goiás, no centro da capital. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Andressa contou detalhes sobre a obra e falou de assuntos polêmicos que marcaram sua trajetória, como o escândalo envolvendo o nome dela e o da casa de shows goianiense Real Privê.

Agora evangélica, Andressa saiu em defesa da comunidade LGBT e disse que ama o público gay. “Eu tenho muitos fãs gays e eu os amo. São pessoas que sofreram preconceito, assim como eu sofri”, afirmou. A apresentadora também sinalizou ser contra qualquer tipo de preconceito e aproveitou para dizer que a denominação religiosa a qual faz parte atualmente também não compactua com a homofobia. “Os evangélicos são preconceituosos, mas a Universal não.”

Com passagens que contam casos de incesto, zoofilia e abuso sexual, o livro “Morri para Viver” já vem causando polêmica nas redes sociais mesmo antes de sua publicação. “Fico constrangida de falar sobre isso, mas, de fato, tudo aconteceu. Eu não omiti nada.”

Contida e bastante agradável, Andressa fez questão de frisar ao longo da entrevista que é uma nova pessoa e que quer ser exemplo na vida de quem necessita de um recomeço, assim como ela. “Hoje, eu criei valores. Hoje, não imagino ninguém me tocando, a não ser meu futuro marido”, contou.

Confira a entrevista exclusiva na íntegra:

[b]Como está a divulgação do livro? Você já visitou outros Estados?[/b]
Está tudo ótimo. Comecei em São Paulo há dois meses e já fui para o Rio de Janeiro, Manaus e agora estamos aqui em Goiânia. As pessoas me recebem com muito carinho e está sensacional.

[b]Como as pessoas que leem o livro têm chegado até você? Como está sendo a recepção pelo público? As pessoas se identificam com a sua história?[/b]
Já houve essa recepção. Em um dos comentários no meu Instagram, por exemplo, em que eu até cheguei a publicar, um rapaz leu e viu que poderia ter uma nova chance. Então, têm vindo muitas pessoas, principalmente garotas de programas, que vêm ao lançamento, me abraçam e falam que estão sofrendo com isso. Então, elas me enxergam como uma saída, porque muitas sofrem, mas não conseguem ver saída. Então, ler o livro e ver que eu mudei, que eu consegui recomeçar, dá esperança para elas.

[b]Andressa, de onde surgiu a ideia de produzir um livro biográfico e como foi o processo de criação?[/b]
Na verdade, eu precisava me perdoar, porque eu tinha feito muitas coisas erradas. Quando eu consegui me perdoar eu vi a importância de você contar sua história para que a outra pessoa que passou por algo semelhante, ou algo não tão terrível, pudesse vir e dizer: “não, espera aí, se ela consegue, eu consigo”. Eu fiz muito mal durante muitos anos e fui um péssimo ser humano. Tive que chegar ao fundo do poço, quando já estava envolvida com drogas, já sofria de depressão, tinha síndrome do pânico e estava envolvida com bandidos. Então, assim, não via outro caminho, senão a morte. Não estava bem nem psicologicamente, nem fisicamente, porque, na época, o hidrogel já tinha começado a fazer minhas pernas doerem. Meus pensamentos eram de suicídio.

Quando eu decidi mudar minha vida e recomeçar, coloquei objetivos em relação ao que exatamente não me fazia bem, e decidi fazer as escolhas certas. Primeiro passo foi realmente minha conversão, o que me ajudou e me deu direção, até porque eu não me perdoava. Quando eu descobri que existia esse perdão, que minha fé me proporcionava esse recomeço, então, tudo aquilo que me aconteceu de ruim passou a ser revertido para o bem.

Fazer o livro não foi uma decisão fácil. Existiam coisas no livro que me machucavam muito, era como se fossem feridas que você tentou encobrir a vida toda, coisas que eu nunca contei para ninguém, nem para minha mãe. E eu sabia que as pessoas iriam condenar e julgar, só que hoje eu escolhi fazer a coisa certa. As pessoas me perguntam se eu não me preocupo com meu filho devido a toda essa exposição e eu falo que me preocuparia antes, com aquela outra mãe eu certamente me preocuparia, hoje não mais. As pessoas dizem que é golpe de marketing e tudo mais, mas eu falo que eu sei de onde eu saí e para lá nunca mais quero voltar. Só quem é dependente de álcool e drogas sabe quão é difícil sair dessa realidade.

Então, com a minha experiência, as pessoas passam a ver que não importa se você errou a vida inteira. Se você decidiu recomeçar, você vai recomeçar. Eu entendo quando as pessoas falam que é jogada de marketing, porque, talvez, eu também pensaria como elas. Talvez, eu duvidaria também, mas essa é uma questão que só o tempo vai provar.

[b]Andressa, no seu livro você narra histórias que causaram bastante polêmica na internet, algumas até espantosas, e que já são de conhecimento público. O que eu quero te perguntar é se você preferiu omitir algo no livro? Algo não foi contado?[/b]
Não teve nada. Eu coloquei tudo. É como se minha consciência pedisse, porque havia assuntos ali muito delicados, como a história do meu irmão e a do cachorro. Fico até constrangida de falar sobre isso, mas, de fato, aconteceu. São situações muito comuns no interior, então deixar isso de fora não seria ajudar como deveria. Só estou viva para isso, eu sei que foi me dada essa missão.

[b]O “Morri para Viver” fala justamente sobre o que uma pessoa é capaz de fazer pelo dinheiro e principalmente pela fama. Você, ainda hoje, se mantém na mídia e é uma celebridade. Qual é a diferença? O que mudou?[/b]
A fama só veio na minha vida por conta da prostituição. No próprio livro, eu explico como foi e dou detalhes dessa realidade. Dentro do bordel, quando você não é famosa, o cachê é de cerca de R$ 400. Quando eu comecei, aos 21 anos, era esse o preço. Eu entrei por uma necessidade financeira, e acabei conhecendo o dinheiro e a ambição cresceu dentro de mim. Pelo fato de vir de família pobre, eu achava que se fosse rica eu seria feliz.

Além disso, eu também enfrentava vários problemas psicológicos desde a infância, como a rejeição do meu pai, o abuso sexual. Eu era uma pessoa que tinha muitas raivas e mágoas, mas a minha infância não tinha nada a ver com a escolha da prostituição. Eu não posso culpar isso, porque várias mulheres sofreram abuso e não entraram no mundo da prostituição, mas eu, como ser humano, já tinha um coração frio. Quando eu me vi mãe solteira, eu pensei no que era pior: deixar meu filho passar fome — só de falar me dar vontade de chorar — e perder a guarda dele ou me prostituir? Então, eu escolhi me prostituir, eu escolhi dar uma vida melhor para minha família.

O maior mal que fiz foi a mim mesma. Dentro da prostituição, eu descobri que as coisas mais nojentas, eram as coisas que davam mais dinheiro. E eu descobri a fama dentro da prostituição. Eu via meninas famosas fazendo shows de strip-tease, nas casas de prostituição e ganhando [img align=right width=300]http://i1.wp.com/www.jornalopcao.com.br/wp-content/uploads/2015/09/andressa_urach1.jpg[/img]cachês altíssimos. A fama veio a partir daí. Eu comecei a participar de concursos de beleza, até conseguir chegar na TV. Eu sabia que ser capa de revista era o auge do cachê e foi aí que eu busquei e fiz tudo que fiz para me manter na mídia, porque para você manter o cachê alto você precisa estar em evidência. Até mesmo no ano passado, quando eu era apresentadora da Rede TV, e eu continuava me prostituindo. Só que existem três tipos de prostituição: a de bordel, que fiz por quatro anos depois dos 21 anos; a de luxo, que fiz até ir para a TV; e depois existe um outro tipo de prostituição, em que é você ser bancada por um empresário, uma espécie de “namoro pago”. Nesse caso, você já é famosa, o empresário sabe que você é garota de programa, e ele quer você só para ele e era isso que eu fazia.

Cheguei ao auge da minha vida, armei aquela história do Cristiano Ronaldo, que eu até relato no livro. Depois, claro, pedi perdão para ele e falei que se eu pudesse fazer diferente eu faria. Isso tudo porque eu sabia que quanto mais famosa eu ficava maior era meu cachê, mais bem paga na prostituição eu seria. Só que, na verdade, este é um dinheiro maldito, que ao mesmo tempo em que você ganha ele sai de outro lado. Grande parte do dinheiro que eu ganhei eu tive que gastar com minha saúde para poder sobreviver. Então, eu buscava essa fama justamente para a prostituição. Hoje, consegui me libertar disso, consegui viver com menos. Quando você está na prostituição, você não acha que vai conseguir viver com menos, porque você precisa daquela roupa de marca e você precisa daquele sapato. Hoje, eu não tenho mais essa necessidade. Hoje, eu criei valores. Hoje, não imagino ninguém me tocando, a não ser um marido.

[b]Você se envolveu em diversas polêmicas ao longo da sua trajetória e uma delas envolveu a casa noturna Real Privê, daqui de Goiânia. Você chegou a ameaçar entrar na Justiça contra o estabelecimento, mas acabou voltando atrás e fez shows lá. O que de fato aconteceu?[/b]
Sim, depois eu fiz o show mesmo. Na época, eles me pagaram um valor alto. O que aconteceu foi que eu e a casa fizemos um acordo, então eu achei que seria melhor para minha imagem que assumisse que iria fazer o show lá. Eles me pagaram um cachê alto, então eu acabei fazendo a apresentação. Só que não fiquei totalmente nua e maquiei as partes íntimas.

[b]Isso tudo estourou durante seu confinamento no reality show “A Fazenda”.[/b]
Sim, exatamente.

[b]Você guarda alguma mágoa de algum participante? Lá, você protagonizou diversas brigas, dentre elas, envolvendo o então casal Bárbara Evans e Mateus Verdelho. Foi tudo resolvido?[/b]
Na verdade, eu não tive a oportunidade de encontra-los pessoalmente, porque, quando tiver, eu irei pedir perdão pelas minhas atitudes, mas eu já fiz isso na TV, publicamente. Eu creio que eles já me perdoaram, até porque faz parte do passado. Quando você está dentro de um reality show, os nervos ficam à flor da pele e todo mundo briga entre si. Eu fui, lógico, a que mais brigou, nem se compara. Minha atitude foi muito vergonhosa.

[b]Antes de você decidir dar um novo rumo para a sua vida, você já havia conquistado milhares de admiradores e fãs por todo o País. Como ficou sua relação com seu público, até porque grande parte dele vem da comunidade LGBT?[/b]
Eu tenho muitos fãs gays e eu os amo. São pessoas que sofreram preconceito, assim como eu sofri. Lógico que, no início, foi difícil para eles entenderem que eu não queria mais que eles publicassem fotos minhas em que eu aparecia nua, porque aquela Andressa morreu e é difícil as pessoas entenderem isso. Eles gostam da Andressa barraqueira, aquela que causa, só que eu aprendi que ser assim só nos prejudica. Eu ainda tenho personalidade, tenho opinião, só que agora eu cuido do que eu vou falar, porque se eu alimentar o ódio, isso só vai gerar problema para mim.

[b]E falando dos seus fãs gays, eles ficaram, de alguma forma, receosos de você se converter a uma religião que, por tradição, é contrária à homossexualidade?[/b]
A universal não prega isso. Os evangélicos são preconceituosos, mas a Universal não. Recentemente, foi até notícia o depoimento do bispo Edir Macedo, em que ele diz que o senhor Jesus não faria isso e é verdade. O senhor Jesus ama os pecadores. O senhor Jesus não gosta é do pecado, mas todos nós somos pecadores. Mais do que isso, se a pessoa nasceu gay, a culpa nem é dela. Entende? E mesmo assim, ninguém é culpado de nada. Cada um é livre, nós somos livres.

Hoje, eu não sou religiosa, eu tenho uma fé. Eu acredito em Deus e Ele liberta, Ele perdoa e a Universal é diferente das outras igrejas. Ninguém vai te tratar mal lá, até porque lá é o pronto socorro das almas. Eu era garota de programa, uma prostituta, e olha como eles estão me recebendo. Eu sou a última pessoa que pode julgar alguém. Eu jamais julgaria alguém, porque esse não é nosso direito.

Além de não julgar, temos que aprender também a nos perdoar e a perdoar os outros. Uma coisa que eu aprendi a lidar a partir desse processo de libertação, e que me machucava muito, diz respeito ao meu abusador. Eu tinha muita raiva, muito ódio, e eu queria matar ele. Eu cresci com isso. Tanto que no reality show eu revelei o nome dele, porque eu queria que as pessoas o espancassem na rua.

[b]Você chegou a se tratar com um psiquiatra, um analista?[/b]
Fiz anos de análise. Fui encaminhado para um psiquiatra, tomei calmante e nada adiantou. Pode parecer loucura, mas hoje estou liberta disso e tudo pela fé. Então, como eu não vou falar sobre isso? Como que não vou expor isso tudo que vivi para ajudar aquelas pessoas que também estão sofrendo por isso? Por que eu sei o quanto é difícil você conseguir perdoar um abusador, mas hoje eu entendo a raiz do problema, que é espiritual. Além disso, quem sabe ele também não foi abusado quando criança? Não sou eu quem deve julgar isso. Deus é vivo e vai chegar a um momento que todos nós vamos responder por nossas atitudes.

[b]Você tem dado palestras motivacionais ao redor do País e, nesta quarta-feira, a agenda é aqui em Goiânia. O que o público pode esperar desse encontro?[/b]
[img align=left width=300]http://i2.wp.com/www.jornalopcao.com.br/wp-content/uploads/2015/09/andressa_urach2.jpg[/img]Na palestra, eu conto toda a minha vida para dar força às pessoas. Eu conto sobre a minha conversão. E quando falam em conversão, pensam que você vai ficar impedida disso ou aquilo, mas, na verdade, não se trata disso. Você é livre. Você pode ir a um bar, pode beber, a opção é sua, mas eu sei o que me faz mal. Se eu sou alcoólatra, porque eu irei beber? Você tem que evitar coisas e amigos que te fazem mal. Por exemplo, eu gostava de cheirar cocaína. Como que, no início do meu processo de conversão, eu vou voltar a conviver com essas pessoas? Então, minha palestra traz justamente esse processo.

É uma missão que eu tenho. Eu me sinto viva por isso. Os médicos falam que o produto que eu apliquei é uma bomba-relógio, pode dar uma infecção e acontecer tudo de novo. Se você não tiver um Deus vivo, você entra em desespero, porque está ali no meu corpo. Se você for pensar racionalmente, você pira.

[b]Para finalizar, Andressa, quais são seus planos futuros? Você pretende continuar na TV? Já tem projetos?[/b]
Eu coloquei minha vida nas mãos de Deus. Hoje, eu vivo um dia de cada vez. Se tiver que sair da TV, então, vou sair da TV. Enfim, minha vida vai seguindo seu rumo. O importante, para mim, hoje, é cuidar do meu filho. Aprendi a cuidar dele e esse ano foi o primeiro que eu fui ao colégio com ele, por exemplo. E essas coisas pequenas têm sido muito importantes para ele. Só de falar isso me dá vontade de chorar, mas, assim, são esses tipos de coisas que para mim têm valor agora. Eu quero aproveitar a vida, mas de outro jeito. Antes, eu aproveitava a vida em festas e baladas, e não com minha família, mas, na hora que a gente precisa, é ela quem está com a gente. Os amigos todos fogem e eu vivi isso. No hospital, quando eu estava quase morrendo, os únicos presentes ali foram minha mãe e os pastores da igreja, que estavam preocupados com a minha alma. Meus amigos estavam em Jurerê, se divertindo. Passar por isso, sofrer e chegar ao fundo do poço foi a melhor coisa que me aconteceu, porque só quando você está lá embaixo é que você consegue olhar para cima.

[b]Fonte: Jornal Opção[/b]