Natural da Argentina e evangelista internacional, Luis Palau (foto) considera Jorge Bergoglio, o recém-eleito papa Francisco, um amigo pessoal.

A notícia de que o ex-arcebispo de Buenos Aires tornou-se o papa Francisco foi motivo de ânimo. Em entrevista para a revista Christianity Today, Palau fala sobre suas expectativas em relação ao líder católico:

[b]Qual foi sua reação quando soube que Bergoglio tinha sido escolhido como papa?
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Foi emocionante! Não apenas por ser ele, também, um argentino, mas por causa de sua abertura com os cristãos evangélicos. Eu já tinha considerado uma pena ele não ter sido eleito pelo conclave anterior, quando ficou em segundo lugar. Nós conversamos sobre isso e Bergoglio disse que já estava muito velho [o papa tem 76 anos]. Sua escolha foi uma surpresa total, porque eu também pensei que ele tinha passado da idade. Mas, vamos lá: ele foi eleito não é muito velho.

[b]O senhor menciona o papa Francisco como um amigo pessoal. O que diz sobre seu caráter, como homem e cristão?
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Ele considera Deus como seu Pai pessoal. A maneira como ele ora e fala com o Senhor é típica de um homem que conhece a Jesus Cristo e é muito íntimo com o Senhor, espiritualmente falando. Orar não é um esforço para ele. Ele não lia as orações; só orava ao Senhor, espontaneamente. É um sinal de que coisas boas vão acontecer em todo o mundo nos anos de seu trabalho papal. Ele é muito fervoroso e suave, no lado espiritual. Claro que não pode sair por aí sorrindo o tempo todo, já que não é um ator de Hollywood, mas é uma pessoa muito calorosa, você não sente frieza e distância dele. Ele sempre foi assim, gosta de se misturar às pessoas. Bergoglio é uma pessoa gentil e está sempre pedindo oração às pessoas. É surpreendente que ele faça isso em público, mas quem o conhece, sabe que Bergoglio sempre dizia: “Por favor, orem por mim.”

[b]E quanto ao seu estilo de liderança?
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Ele é um homem muito centrado na Bíblia, em Cristo Jesus. É alguém com característica mais espiritual do que administrativa, mas vai ter que exercer suas habilidades administrativas agora. Ele é simples, uma pessoa direta, que diz o que pensa e faz isso com sinceridade. Embora seja gentil, tem fortes convicções morais e as defende, mesmo que tenha que enfrentar o poder e o governo. Certa vez, com a comunidade evangélica, teve um dia muito cheio e, quando percebemos, ele estava realmente aberto, mostrando um grande respeito por cristãos que creem na Bíblia. Esse tipo de atitude gera respeito e convicção. Assim, os líderes da Igreja Evangélica na Argentina têm um grande respeito por ele, simplesmente por causa de seu estilo de vida pessoal.

[b]Tem havido muita conversa nos meios de comunicação acerca do coração Bergoglio para com os mais necessitados. O senhor acha que é isso que ele vai focar durante o seu papado?
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O fato de que ele está inclinado em direção ao pobre não significa que é um líder revolucionário. Ele não se envolve em guerra de classe; trabalha para os pobres, mas não é de exacerbar emoções e não defende a teologia da libertação. Em nossas conversas ao longo dos anos, ele sempre mostrou muita preocupação com os jovens, sobretudo aqueles mais secularizados. Toda vez que conversamos sobre o estado do Cristianismo no mundo, ele trazia o foco sobre a secularização e o distanciamento dos jovens da Igreja. Há conversas sobre uma nova onda de evangelização na Igreja Católica Romana e um desejo para que o Evangelho puro de Jesus se espalhe em todo o mundo. Acho que isso vai ter um impacto, porque ele definitivamente sabe e está comprometido com o Evangelho puro. Um dia, eu e ele nos encontramos para orar e eu pedi uma palavra de conselho. Ele disse: ‘Dê aos jovens o Evangelho. Eles precisam ouvir.”

[b]Como será a relação da Igreja Católica com os evangélicos sob o papado de Francisco?
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Ele é um homem de convicções fortes, inclusive em questões morais. Eu acho que nós vamos ver um papado que vai tornar essas relações mais fáceis e diminuir as tensões. Isso não significa que evangélicos e católicos vão concordar em todos os ângulos – ele é o papa católico romano, e há questões que precisam ser tratadas olhando o que a Bíblia diz. Essas diferenças na doutrina estão lá, mas quando há uma atitude correta para com o outro e com a Palavra de Deus, a luz vem do Senhor. O maior número de católicos vivem na América Latina. Embora milhões se voltaram para Jesus Cristo de uma maneira cristã evangélica , não menos de 70% da América Latina ainda professam que são católicos romanos. Isso é, sem dúvida, um motivo de ele ter sido eleito. Já houve muita tensão entre as duas correntes. Agora, as tensões são mais teológicas, principalmente doutrinárias, onde há uma diferença de crenças. Assim, as tensões vão se facilitando. Não haverá estilo de confronto – ele provou isso em seu mandato como o cardeal da Argentina. Há mais pontes entre nós, mesmo sabendo as diferenças, sobre as quais podemos concordar: a divindade de Jesus, seu nascimento virginal, sua ressurreição e a segunda vinda.

[b]Fonte: Site da revista Christianismo Hoje[/b]