Uma suposta fraude na venda dos ingressos para o evento Diante do Trono, que deveria ser beneficente, realizado na WestConn em Danbury, Connecticut, nos EUA, no último dia 20, está levantando suspeitas contra o brasileiro Silas Júnior, diretor da Revista Palavra e organizador do evento.

Os ingressos, que deveriam ser vendidos ao preço único de 9 dólares, conforme o contrato firmado entre a Revista Palavra e o O’Neill Center, chegaram a ser vendidos até por 45 dólares cada, sem conhecimento do diretor do O’Neill Center.

A quantidade de 2.500 ingressos, emitidos sem valor para que as pessoas fizessem doações, foram vendidos ao preço de cada. A banda Diante do Trono tocou de graça, mas Silas disse ao Diretor de Promoções da WestConn e autor da denúncia, John Murphy, que pagaria 45,000 dólares à banda. Foram pagas à banda somente as passagens aéreas.

No contrato, que chegou à redação, datado de 20 de outubro e firmado entre a Revista Palavra e o O’Neill Center, local do evento, consta o valor de 9 dólares para General Admission. “O Silas me entregou 1.000 ingressos para ser vendidos ao preço de 9 dólares, e ficou com 2.500 ingressos, impressos sem valor”, declarou John Murphy.

Estes ingressos, segundo ele, não eram para ser vendidos, pois os organizadores afirmaram que seriam distribuídos para a comunidade. Quem desejasse fazer alguma doação, poderia, mas eles foram vendidos ao preço de até 85 dólares cada. “Doação é doação. Você não estipula valor de doação para as pessoas”, disse ele.

De acordo com Murphy, Silas teria coletado mais de 150,000 dólares na venda de ingressos, fora o valor pago pelos patrocinadores.

Os acordos entre o O’Neill Center e os organizadores do evento, foram todos feitos com base na informação de que era um show sem fins lucrativos, portanto muito dos custos foi retirado.

Murphy chegou a presenciar o pagamento de 45 dólares por um ingresso, durante o evento. Ainda de acordo com Murphy, Júnior disse que a contratação da banda custaria 45,000 dólares, porém a banda tocou de graça. Murphy está se sentindo lesado, e lamenta também por quem pagou. “Ele está roubando das pessoas”. Tachou a ação de Júnior de ilegal.

O brasileiro Fábio Ferreira Silva, 30, de White Plains, Nova York, foi detido no dia do evento acusado de estar vendendo os ingressos que deveriam ser gratuitos. Quando abordado pela polícia, Fábio teria mostrado um distintivo semelhante ao da polícia de Nova Iorque. A polícia descobriu que ele não era policial, e que tampouco estava autorizado a vender os ingressos.

Um dos brasileiros que comprou o ingresso foi o goiano Rômulo Morais. Ele adquiriu o ingresso a 85 dólares na Igreja Logos, desconhecendo o valor de 9 dólares e as supostas “doações”. “Achei o valor caro e conheço pessoas que não foram por isso”, declarou Rômulo, acrescentando a necessidade de denunciar. Geovani Santos, a esposa e o cunhado, também acharam o ingresso caro e não quiseram comprar. “É um absurdo”, declarou, ao saber da denúncia. “Ninguém disse que o preço era de 9 dólares e que acima disso era doação. Nos informaram que custava o mais barato”, afirmou.

Contradições

Contradizendo as declarações de Murphy e dos brasileiros, Silas confirmou que os ingressos custavam 9 dólares e que doações estavam sendo arrecadadas. “As pessoas doavam a partir de , 80 dólares, 90 dólares, dependendo do assento. Tivemos ofertas de 1,000 dólares e de 3,000 dólares”. Ainda de acordo com Silas, o evento não teve fins lucrativos. Segundo ele, o valor era apenas sugerido para as pessoas, mas que ninguém tinha a obrigação de pagar estes valores.

Silas declarou ainda que o custo da locação foi de 18,000 dólares (de acordo com o contrato, ele teria pago 12,551.50 dólares) e as passagens aéreas da banda custaram 39,000 dólares. Ele afirmou que os altos custos foram supervisionados junto aos pastores do Conselho de Pastores (Conpas) e ao Pastor Marconi Cândido, da Igreja Emanuel.

Alguns pastores membros do Conpas, foram contactados para dar entrevistas. O Pastor Silvani, da igreja Assembléia de Deus, disse que desconhecia que o ingresso custava 9 dólares, e que os outros valores se tratavam de doações. “Desde o início eu já fiquei sabendo que os ingressos custavam 45 dólares”, disse o Pastor Silvani, declarando-se surpreso com os detalhes do contrato. “Como pastor, pessoalmente eu acho errado cobrar entrada para evento evangélico. Esta é a minha posição pessoal”, afirmou.

Quem também não sabia de detalhes do contrato é o Pastor Ozório Viganor, da Igreja Ebenezer, afirmando que foi convidado a participar do evento, como todas as igrejas. O pastor Ely Coture, presidente do Conpas não deu entrevista sobre o assunto, pois encontrava-se em reunião, no momento em que foi contatado. O Pastor Marconi, que teria participado da negociação com o O’Neill Center, não respondeu aos recados deixado no seu telefone para falar sobre o assunto.

Fonte: Comunidade News