O ex-bispo Fernando Lugo, candidato presidencial de um setor da oposição paraguaia, aposta no “voto útil” para vencer o Partido Colorado, que governa o país há seis décadas.

Lugo, de 56 anos e favorito em todas as enquetes de intenções de voto para as eleições gerais de 20 de abril de 2008, lidera a Aliança Patriótica para a Mudança (APC). A coalizão é formada por movimentos de esquerda e três partidos de oposição, entre eles o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segundo maior do país.

“Se há candidatos da oposição que não estão na Aliança Patriótica e vêem que suas possibilidades são mínimas, seria importante aderirem ao voto útil, abandonando suas candidaturas”, afirmou hoje Lugo em entrevista à Efe.

O ex-religioso admitiu que houve “uma sangria significativa” na aliança, que não reebeu o apoio dos outras dois grandes partidos de oposição.

O Partido Pátria Querida (PPQ) promove a candidatura de seu presidente, o empresário Pedro Fadul. Já a e a União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), do ex-general golpista Lino Oviedo, espera que seu líder tenha condições legais de disputar as eleições do próximo ano.

No entanto, o ex-bispo destacou que a adesão do Bloco Social e Popular, um conglomerado de organizações sociais e de esquerda, “enriquece a Aliança com um adicional eleitoral em termos de liderança social, que era uma falha da Concertação”.

A coalizão oposicionista Concertação Nacional reunia todos os partidos da oposição e cerca de 30 grupos civis. Mas foi dissolvida após o lançamento formal da candidatura de Lugo.

Sobre a ruptura da coligação, Lugo declarou que “há uma espécie de insubordinação democrática nas bases dos partidos, que no momento de escolher apostariam na mudança”.

Para ele, Oviedo “não poderá concorrer” e sua saída da prisão, em liberdade condicional, foi uma estratégia colorada para enfraquecer a oposição.

“Achamos que o Paraguai precisa da contribuição e do apoio ideológico popular, em torno da centro-esquerda, para poder aspirar a uma genuína mudança”, definiu o ex-bispo.

Ele considerou o modelo chileno “invejável”. Mas lembrou que a experiência chilena “tem um processo de 20 anos”.

“Nós costumamos dizer que não vamos solucionar todos os problemas. Mas nos comprometemos a iniciar um período de mudança”, comentou.

O candidato oposicionista defende que o Mercosul não se restrinja aos aspectos “meramente econômicos e comerciais” e destacou o Parlasur como um “grande passo” no aspecto político.

Nas relações internacionais, Lugo quer que o Brasil “compreenda um vizinho mais modesto, que reivindica simplesmente o que é justo”.

Ele defende maior eqüidade no acesso aos recursos da hidroelétrica de Itaipu, assim como na de Yacyretá, que explora com a Argentina.

O esquerdista negou receber apoio de países como Venezuela e Equador. Ele disse que as denúncias se devem à sua aproximação “com líderes que em certos setores da sociedade enfrentam certa rejeição”.

“Os processos políticos da região podem nos iluminar, mas o Paraguai não pode importar modelos de outros países. O país tem características históricas, sociais e culturais bem diferentes”, analisou.

Fonte: EFE