O ex-secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, é suspeito de retirar 15 milhões de euros das contas da Santa Sé.

O Vaticano abriu uma investigação contra o ex-secretário de Estado Tarcisio Bertone por apropriação indevida, informou nesta terça-feira (20) o jornal alemão “Bild”, segundo o qual o cardeal é suspeito de retirar 15 milhões de euros das contas da Santa Sé.

Citando fontes vaticanas, o jornal afirma que o dinheiro do qual Bertone se apropriou teria sido enviado a um produtor televisivo amigo seu e ligado à empresa “Lux Vide”. A operação teria ocorrido em dezembro de 2012 e Bertone teria feito pressão para o Banco do Vaticano (Instituto para as Obras de Religião – IOR) aprovar a transação.

Questionado sobre a investigação, o diretor da Autoridade Vaticana de Informações Financeiras (AIF), Renè Bruelhart, disse não poder “confirmar nem desmentir” a notícia. A AIF é o órgão da Santa Sé responsável por acompanhar os trabalhos de todas as entidades da Igreja que atuam no setor econômico e financeiro, como o Banco do Vaticano.

A investigação contra Bertone estaria sendo conduzida pela AIF.

Bertone é um cardeal italiano que foi secretário de Estado do Vaticano entre setembro de 2006 e outubro de 2013, durante o pontificado de Bento 16.

Ele é apontado como um dos motivos que levaram à renúncia do papa, no ano passado. Jornalistas e vaticanistas afirmam que as desavenças entre o pontífice emérito e seu secretário fizeram Bertone criar um racha dentro dos Palácios Apostólicos, isolando Bento 16 politicamente.

Seu nome também foi citado no “Vatileaks”, caso em que o ex-mordomo Paolo Gabriele divulgou documentos secretos da Santa Sé.

Na segunda (19), a AIF apresentou seu relatório eu relatório anual 2013, destacando um “reforço significativo” do uso de instrumentos contra crimes financeiros, como lavagem de dinheiro.

De acordo com o relatório, houve um notável aumento no número de transações suspeitas. Em 2012, foram registradas seis transações suspeitas, contra 202 no ano passado. Cinco dessas foram encaminhadas à Promotoria para investigação. Mas o órgão não detalhou quais casos seriam, e nem citou Bertone.

[b]Fonte: Ansa[/b]