O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) vai investigar denúncias feitas por três jovens, entre eles um adolescente de 17 anos, contra um ex-seminarista que atuava como ministro da Eucaristia na Paróquia de São Judas Tadeu, no bairro de Cajueiro, Zona Norte do Recife.

Os rapazes acusam José Iranil Teixeira de abuso sexual, indução ao uso de drogas e incentivo à prostituição, de acordo com reportagem exclusiva exibida, nessa quarta-feira (13), pela TV Jornal. Os crimes teriam sido cometidos entre os anos de 1999 e 2005.

As vítimas denunciaram o caso na última terça-feira (12) à Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da seccional pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), que encaminhou cópias do documento ao MPPE e à Arquidiocese de Olinda e Recife. Um dos jovens, que hoje tem 25 anos, contou que o grupo freqüentava a Capela Jesus Menino, que fica na paróquia onde José Iranil era ministro da Eucaristia.

Com o tempo, o rapaz disse que o voluntário da igreja começou a convidar os três para ir até a sua casa. No local, José Iranil ofereceria dinheiro para manter relações sexuais com as vítimas, de acordo com o homem que não quis ser identificado. “Quando a gente chegava lá, ele colocava filmes pornográficos para a gente assistir e dava dinheiro. Somos de famílias pobres”, contou, em entrevista veiculada no TV Jornal Notícias.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, Taciano Domingues, afirmou que, segundo relato das vítimas, o ex-seminarista seduzia e ameaçava os jovens. “Ele passava de motocicleta seduzindo os meninos. Dava dinheiro aos garotos e colocava drogas na bebida deles. Pagava uma quantia para fazer sexo oral e outra para sexo anal”, revelou. “O mais velho disse que não agüentava mais aquela situação, mas sempre que dizia que não queria mais o ex-seminarista fazia ameaças”, acrescentou. Taciano declarou que não tomou conhecimento de que eles tivessem mantido relação sexual na paróquia.

O rapaz de 25 anos comentou que espera que a denúncia evite outros dramas pessoais. “Era preciso fazer alguma coisa, porque isso pode estar acontecendo com outras pessoas, sem que ninguém tenha coragem de falar”, frisou.

Há dois anos, a vítima procurou o padre Roberto Nogueira, da Paróquia de São Judas Tadeu, que não teria acreditado na versão. Em seguida, ele recorreu ao padre João Carlos Santana, pároco da Igreja de Água Fria, Zona Norte do Recife, que repassou a denúncia para a Arquidiocese de Olinda e Recife. João Carlos garantiu que conversou pessoalmente com o arcebispo dom José Cardoso Sobrinho. “Eu falei que o caso era sério e que era preciso averiguar.” Como nada foi feito, o pároco decidiu enviar, em 2007, uma carta ao Vaticano, na Itália, explicando toda a história.

Atualmente, os religiosos travam briga judicial. Dom José tem processo movido contra o padre João Carlos por calúnia e difamação. Nessa quarta, houve a primeira audiência de conciliação entre eles. O arcebispo afirmou que só soube do problema envolvendo o ex-seminarista por meio do documento enviado à Igreja. Dom José disse que José Iranil era ministro extraordinário de comunhão da Capela Jesus Menino e foi destituído do cargo em novembro do ano passado. O voluntário passou quatro anos na função.

A assessoria de comunicação do MPPE informou que o procurador-geral de Justiça, Paulo Varejão, já recebeu a denúncia da OAB-PE, mas ainda não avaliou o documento. O acusado afirmou à reportagem da TV Jornal que não falaria sobre as denúncias.

Fonte: JC Online