Em uma entrevista exclusiva ao portal FolhaGospel, o cantor Sérgio Lopes, o poeta da música evangélica, fala sobre seu mais novo CD “Getsemani”, critica a falta de promotores de shows profissionais no meio gospel e responde as perguntas feitas pelos assinantes do portal.

Ele nasceu no dia 27 de outubro de 1964 em Campina Grande, na Paraíba. Aos doze anos, ainda em sua cidade natal, Sergio Lopes ganha de um primo, um violão. Aprende a tocar canções populares da época, e poucos meses depois já começa a compor suas próprias músicas.

Em 1985 participa do “I Festival Gênesis de Música Sacra” envolvendo candidatos de várias cidades, tendo sua composição “Agora Posso Crer”, por ele mesmo interpretada sido a vencedora do Festival que foi realizado no Teatro Villa Lobos, em Copacabana. Estimulado pelo prêmio, participa com os músicos da organização do Grupo Altos Louvores, liderado por Edvaldo Novaes, e grava com eles como intérprete no Long-Play intitulado “Anseios”.

Em 1989 ele deixa definitivamente o Grupo Altos Louvores, após uma participação de quatro anos e lança seu 1º trabalho solo, intitulado “NOSSOS DIAS”. Em setembro de 2004 Sergio Lopes sofre um gravíssimo acidente na Rodovia Rio-Teresópolis, fraturando várias costelas e sendo submetido a delicada cirurgia para retirada do baço ficando durante 14 dias hospitalizado, quando muitos evangélicos oraram pela sua vida. Sua recuperação é surpreendentemente rápida, e em dezembro ele retoma sua agenda.

Agora em 2007, Sérgio Lopes, o poeta da música evangélica, lança seu mais novo CD “Getsemani” (foto ao lado). Esse é o 18°. CD de sua carreira. Com a produção de Ronald Fonseca (produtor do Toque no Altar, atual Trazendo a Arca), o CD contém 13 lindas canções, todas de autoria do próprio Sérgio Lopes, exceto a faixa 6, que chama “Coração”, autoria do Pr. Marcos Santarém. O cd conta ainda com participação dos três filhos do cantor, Serginho, Arthur e Gabriel, tocando respectivamente, guitarra, baixo e bateria, na faixa Dose Over, que é uma regravação do próprio Sérgio Lopes, quando ainda fazia parte do grupo Altos Louvores.

A seguir, confira uma entrevista exclusiva feita com o cantor Sérgio Lopes, e que inclui perguntas dos assinantes do portal FolhaGospel.

ENTREVISTA:

Como está sendo a divulgação deste seu novo CD “Getsemani”? Porque o título “Getsemani”?

O título foi escolhido por ser referente à música que mais se relaciona com o tema central do trabalho, que foram os momentos de Cristo antes da crucificação.

Você já ouviu alguma crítica? Como os críticos estão avaliando este CD?

As críticas até agora têm sido positivas, e nada foi comentado de negativo com relação a alguma mudança de estilo etc… Creio que as pessoas já se acostumaram a entender que as novidades que se apresentam em cada CD que produzo faz parte do meu jeito de evitar ser monótono.

Como está sendo esta parceria com Ronald Fonseca, produtor do Trazendo a Arca?

Trabalhar com o Ronald é garantia de qualidade musical. Essa é a terceira vez que produzimos um trabalho juntos, e ele sempre me traz segurança com relação à qualidade da produção.

Este CD tem a participação dos seus 3 filhos em uma música tocando instrumentos. Eles farão parte da sua banda durante a turnê? Eles pretendem formar uma banda, seguir carreira de cantor…

Considero uma iniciação ao mundo profissional. Eles demonstraram maturidade no estúdio, apesar de ter sido a primeira vez. Ocasionalmente, tocarão comigo. Mas não poderão fazer parte de todas as viagens porque estudam e estão indo bem na escola. Não quero atrapalhar, pois a prioridade agora é a conclusão do processo educacional.

Por falar em turnê, quando ela começa? Como está sua agenda para a divulgação do CD “Getsemani”?

Não posso preparar uma turnê, pois faltam no meio gospel promotores de shows que sejam responsáveis para possam me agenciar. A maioria são aventureiros que começam as turnês mais ou menos e acabam sempre lesando financeiramente as bandas. Mas temos muitos shows marcados para lançamento em diversos pontos do Brasil, mas com contratantes mais selecionados e que não me trarão problemas.

(Pergunta do assinante João Batista de Aguiar) – Gostaria de saber se você tem uma vocação evangelística e avivalística através da música para alcançar os judeus das diversas correntes teológicas? A pergunta foi construída a partir de uma análise que fiz das letras e estilo bem específicos de sua maneira de ser e fazer. Louvo a Deus pelo ministério que Ele outorgou ao querido irmão.

Bem, se tenho essa tendência, que nem percebi ainda, ela é espontânea e não tem essa finalidade específica. Nunca busquei intencionalmente essa aproximação, mas tenho uma relação até certo ponto afetiva com membros da comunidade judaica e preservo isso porque entendo que são um povo que vive sob uma promessa de Deus.

(Pergunta do assinante Paulo César Domingues) – Gostaria de saber como você se sente sendo chamado de O POETA DE DEUS ?

Sinto-me lisonjeado, pois ser poeta realmente é uma dádiva, e muito me honra ser distinguido assim por algumas pessoas.

(Pergunta do assinante Amauri Oliveira) – Como pastor tenho visto que a música evangélica para muitos cantores tem sido apenas um meio de ganhar dinheiro, visto que cobram caches altos, e nas cidades pequenas não vejo ninguém se apresentando.
Pergunta: Se a música é um meio de evangelismo, adoração, qual será a postura do cantor Sérgio Lopes em relação as cidades e igrejas pequenas? Um abraço.

Querido Amauri, eu particularmente não faço distinção entre cidades grandes e pequenas. Canto onde sou efetivamente convidado, pode ser no meio do luxo ou da favela. Já cantei nas principais favelas do Rio, onde fui bem recepcionado até por traficantes, e já cantei em lugares requintados, onde a polícia estava me dando proteção. São situações bem opostas, né? A palavra que canto e prego não depende do lugar onde estou. Com relação a outros cantores que fazem esse tipo de discriminação, e também sobre seus cachês, não é ético comentar pois não conheço o pensamento deles, e deixo esse julgamento a cargo do próprio Deus, do público ou da igreja.

(Pergunta da assinante Julita Leoni) – O CD “Getsemani” vai dar mais ênfase ao sofrimento ou a vitória alcançada ali?

O CD mostra amplamente ambas as situações, mas creio que a ênfase deve ser dada à nossa reflexão acerca do sofrimento que Cristo passou por nós. Isso deve fazer crescer a afeição dos crentes por Ele, e é esse meu objetivo.

(Pergunta da assinante Divalnir Lima) – Gostaria de saber qual sua opinião quanto ao nível de comprometimento do povo evangélico brasileiro com o Senhor Jesus no que tange à vida de oração, adoração, vida de santidade, amor prático de uns para com os outros (isto é, vida como um corpo em Cristo), responsabilidade para com os graves problemas nacionais, crescimento do Reino e, conforme nos ensina a Palavra de Deus, quanto ao apressamento da vinda do Senhor; enfim, sua opinião quanto à nossa espiritualidade como povo evangélico brasileiro.

O nível de comprometimento íntimo com Deus nunca foi a nível coletivo, pois sempre foi impossível separar o joio do trigo no meio da lavoura. Esse comprometimento sempre foi a nível individual. Por exemplo, quando Deus queria fortalecer seu povo, procurava particularmente homens com quem pudesse ter uma relação dual de compromisso. Assim Ele chamou e fez pactos com Abraão, Moisés, Jacó, Samuel, Izaías, Davi, João Batista, Paulo de Tarso etc… Acredito que não devemos nunca esperar nada de interessante da multidão, mas desenvolver nós mesmos uma relação individual com Deus. Como o povo sempre acaba sendo o reflexo desses escolhidos, tenho sentido falta de líderes que tenham aquele bíblico envolvimento particular com Deus. Os líderes que se levantam em nosso tempo preferem se comprometer com a produção de literaturas e DVDs com fins comerciais, templos grandes para obter grandes ofertas, canais de TV e rádio para arrecadação de fundos e divulgação de seus negócios, e por isso estamos vivendo um tempo de grandes escândalos e poucos milagres autênticos. Vemos uma maciça propaganda de milagres de araque, de cura de enxaqueca e de pessoas que têm tanta vontade de aparecer na TV ou serem notadas, que inventam milagres que muitas vezes é o simples efeito da dipirona que tomaram. Os milagres de se ver paralíticos andando e cegos enxergando nós não estamos presenciando, apenas ouvimos falar deles mas nunca vemos, já perceberam isso?

(Pergunta do assinante João Dias) – Qual é a tua opinião sobre o crente que, antes de se converter, exercia a profissão de músico. Atualmente, no entanto, acometido de grave crise financeira e temendo que sua familia passe necessidade, ele pensa em retomar a antiga profissão para complementar sua renda familiar. Qual deveria ser seu procedimento?

Um músico nunca deixa de ser músico. Esse é o seu dom, a música é sua vocação e deve sobreviver dela. Ele deve apresentar seu sacrifício ao Senhor em sua igreja, que é seu dízimo e sua oferta, e havendo oportunidade também ser músico no lugar onde adora a Deus. Mas não precisa e nem deve JAMAIS abandonar seu TRABALHO, mesmo que seja numa casa noturna. É ali que ele deve se sacrificar como cristão para ser um exemplo de discípulo, e falar do amor de Cristo com sua melhor música: a sua própria vida. Isso não é questão de opinião, e sim de coerência. Trabalho é trabalho. O pastor que mandar um músico deixar de trabalhar em algum lugar onde esteja empregado para tocar música popular deve garantir o salário desse músico com os recursos da igreja, senão, é apenas um hipócrita ou ignorante, que vai desestabilizar mais uma família com conselhos paranóicos. Se fosse assim, teríamos que mandar todos os jogadores de futebol evangélicos largarem imediatamente seus clubes, a começar pelo Kaká, Edmilson e o Flávio Conceição, que foram ou são da Seleção e são exemplos de cristãos em cada clube que chegam, e já conquistaram muitos outros para Cristo.

Além de cantar e compôr, o que mais você gosta de fazer?
Compor e cantar! Rs. Gosto de cozinhar para meus amigos, meus filhos etc… Estou tomando gosto pela cozinha. Cozinhar é realmente uma arte, que apurando o sentido do paladar nos apura também o sentido da vida.

Este é seu 18° CD, que análise você faz da sua carreira desde o CD “Nossos Dias” até “Getsemani”? Existe alguma coisa que você acha que falta fazer e alguma que você se arrependa de ter feito na sua carreira?

Minha análise é positiva. Sempre gravei o que quis, mesmo quando avisei à Gravadora que iria fazer um disco não popularescamente comercial, mas que seria uma realização pessoal, como musicar as cartas do Apocalipse, tudo me foi permitido. Então meu balanço pessoal é positivo. Me falta ainda realizar um antigo sonho pessoal, que é de compor e produzir uma ópera em português, com um roteiro evangelístico. Quanto a ter arrependimentos, algumas coisas de que me arrependo me serviram de lição, então até nisso o saldo final é positivo: ficou a lição!

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Espero apenas ser compreendido por vocês naquilo que francamente expressei.

Contatos: Meira Lopes Editora / Agenda Sérgio Lopes
(21) 3352-9017 /

Conheça mais sobre o cantor Sérgio Lopes, acesse www.sergiolopes.net

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