Segundo uma investigação da ABC News, existem referências em código ao Novo Testamento e passagens acerca de Jesus Cristo inscritas no armamento pesado norte-americano, encomendado pelo Estado a uma empresa sedeada no Michigan.

As armas são utilizadas no Iraque e no Afeganistão, quer por soldados dos EUA, quer por soldados dos exércitos locais. A Trijicon, empresa de armamento em causa, tem um contrato no valor de 660 milhões de dólares (462 milhões de euros), por vários anos, segundo o qual deverá fornecer 800 mil armas à marinha e contratos adicionais para fornecer armas ao exército.

Segundo as regras do exército norte-americano para o Iraque e Afeganistão, é proibida qualquer manifestação religiosa. A medida visa prevenir acusações que argumentem que os EUA entraram numa cruzada religiosa no “Médio Oriente”.

“Aquele que me seguir nunca entrará nas trevas, mas terá sempre a luz da vida” – Livro do Apocalipse (João 8:12), quando Mateus e João falam de Jesus como “a luz do mundo”. Esta é uma das citações usadas, sob o código JN8:12. Segundo declarações do director de vendas e marketing da Trijicon, Tom Munson, à ABC News “as frases estiveram lá sempre”. “A prática da empresa começou com o fundador Glyn Bindon, um cristão devoto da África do Sul, que morreu em 2003 num desastre de avião”, explicou.

Já os porta-vozes da marinha e do exército norte-americanos argumentam que desconheciam as marcas bíblicas nas armas e que estão a estudar as medidas a tomar. No entanto, existem fotos no site do Departamento de Defesa que mostram soldados iraquianos a serem treinados pelo exército norte-americano com armas da Trijicon.

Segundo Weinstein, advogado e antigo membro da força aérea, já vários membros do seu grupo tinham reclamado contra as frases nas armas. “Permite aos insurgentes, talibã e membros da al-Qaeda argumentarem que foram mortos por armas de Jesus”, explicou. “Este é provavelmente o melhor exemplo da violação da separação entre a igreja e o Estado neste país”, acrescentou ainda.

Fonte: IO online – Portugal